Poetas 3 x 4

Victor Domingos

                                     Portugal



                  geou hoje sobre o caule do teu exorcismo de vítima

                  e logo enunciaste o monólogo austríaco

                  da minha confissão latente

 

                  é pena toda esta osmose de frutos agregados

                  que nos vai tolhendo o olhar coa vestimenta rota do desconhecido

 

                  mas foram eles os agressores, bem o sabes

                  que o longe do vidro proscrito

                  não poderia jamais verter-se em luz

                  sobre a leveza do nosso jugo transformado

 

                  é preciso calar o monólogo

                  apagando-lhe todos os cristais deste amanhecer

                  e levantar sobre a sua sombra

                  a experiência áurea de iluminar as montanhas

 



           olhos de cobre sorriso de níquel

                  a insustentável lara obscura

 

                  a confusão das paredes ausentes de verbos

                  e a irremediável abundância – indiscreta – dos pingos de sopa

 

                  na camisa

 

                  um amanhecer forçado na gare do oriente

                  por entre as árvores prenhes de hienas e leopardos azuis

 

                  e não. tabaco não panfletos não dinheiro não olá não.

                  dormir o amanhecer insuflável no vão-de-escadas amarelo

 

                  ao som desse olhar de cobre

                  réptil até aos ossos

 

                  e a obra que foi outrora a inicial

                  feita em nada de alenquer e de alcácer quibir

 

                  lisboa em cinzas

                  no lápis do cartoonista de jornal

 

                  e a peixeira com o seu sorriso de madeira

                  – e a trave no olho do poeta –

 

                  escrevendo a robalo este derradeiro ponto final.
 



Victor Domingos nasceu em Arcos de Valdevez, 1981, é licenciado em Psicologia
e trabalha actualmente como formador na área das Tecnologias da Informação e da Comunicação.
A sua obra de narrativa “Ode a Um Poeta Naturalista” (ArcosOnline.com, 2003)
recebeu em 1999 o Prémio Literário Teixeira de Queirós. Em 2002, outra narrativa sua,
Manual de Trigonometria Aplicada” (Autores de Braga, 2002) seria o trabalho vencedor
do Concurso Literário “Ecos da Memória”. Três anos mais tarde, viria a ser atribuído o 2º prémio,
no Concurso Nacional de Contos D. Sancho I, à sua narrativa “As Confissões de Dulce
(texto esse que viria a ser publicado na antologia “Contos de D. Sancho”, Edições Quasi, 2006).
No campo da poesia, tem algumas colaborações na revista digital galega

Andar21.net
e publicou a obra “é preciso calar o monólogo” (ArcosOnline.com, 2005).
É responsável pelas Edições ArcosOnline.com (http://www.arcosonline.com),
um projecto editorial alternativo dirigido para o público lusófono,
que tem publicado de livros em formato digital de autores portugueses, galegos e brasileiros.
No âmbito desse projecto, reeditou em Maio de 2006 o romance
O Salústio Nogueira”, de Teixeira de Queirós.


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