Poetas 3 x 4

Maria Helena Sleutjes


Prefácio do Livro Presença, por Luiz Fernando Prôa
 

Ao abrir este livro de poesia, abri também a poeta que nele habita.
Transitei as entranhas de sua sensibilidade aberta ao mundo como em vôo pássaro.

“...todas as minhas janelas estão escancaradas...

...vou prosseguindo pela minha estrada...

...noite e dia, em vôo livre projetada...”

Nas poesias de Maria Helena, sacadas da gaveta,
neste seu primeiro vôo poético, bebi o sangue de poeta pronto,
escolado nas percepções vividas, aprisionando às imagens do olhar
em versos maduros de puro encantamento. Conheci a poeta que toca,
que burila quem a lê, e transforma.
 

“...nada mais sou que a transformação

     no tempo que esvoaça

     na vida que passa

     no pensamento que voa...”
 

Em sua poesia, provei do sal que transpira e transita por entre
questões da vida, do amor, da natureza, da beleza escondida atrás
de lágrimas e delícias, no rio claro de suas emoções.
Na delicadeza de sua pena, colhi das flores que eternizam a palavra,
o significado, o dilema, o poema.
 

“...o verso no papel

     se torna o portal

     para dimensões que existem em mim...

  ...impressões que permanecerão

     além dos dias...”
 

Sim, o poema mulher, que nua se mostra paixão, que nua transmuta
a vivência estéril, no nascer do belo perfil de seu ser,
no renascer do que está vestido em máscaras superficiais,
em visíveis cores do mundo que está por trás da dura frieza dos olhares cegos.

Sim, a beleza que tira a roupa, que rasga a pele e nos mostra tão belo interior,
mesmo que vestida, à espera.
 

“...eu aqui

     de janelas cerradas

     vestida para noite

     e ainda viva...”
 

No jeito doce da escrita, jeito de esconder o amargo da realidade vista,
nos tons da branca rosa que inspira o artista, que transcende o cinza e colore a vida, ofertando a alma, cristal de contrapartida.
 

“...doce criatura

     que encerra em si

     o sabor das buscas infinitas...”

 “...enquanto a lua gestante

     derrama estrelas

     no infinito...”
 

Peguei carona nos versos de Maria Helena e viajei pela cidade
perdida escondida nas estradas do sonho de poeta.
Desembarquei melhor, pois de que me vale os caminhos, se não separo os espinhos,
se não sorvo o néctar e não respiro o aroma do que mais importa.

Sim, nesta viagem bebi a essência do que a poeta destilou e captou em poemas.
Provei o sabor das marias helenas que todos temos,
mas nem sempre sabemos transformá-las fruto em vinho.
 

“...sonho um verso maior que o poema

     sonho uma estrela maior que a noite

     sonho um castelo maior que a areia...

  ...sonho um sonho maior que o sono

     sonho um dia maior que a eternidade

     sonho um adeus maior que a saudade...

  ...no sonho tudo nos permitimos...

  ...no olhar fugidio pela vidraça

     tudo que brilha

     são luzes que passam...”
 

Neste mar/livro de poesia, naveguei nos vapores do bom vinho
das palavras que embriagam, e bêbado, pés tropeçantes,
vi a vida em seu devido ângulo, pois a realidade que nos cerca nauseia,
e a loucura do poeta é a verdade primeira. 

 
             “...Como um náufrago

     Me refugio

     No que é essencial

     À vida.”

 


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