Eduardo
            Tornaghi

 


como Pessoa, eu não sei         se penso o que sinto ou         se não sinto o que pensei       (...) já que não sei o que sinto         como Pessoa eu direi         toda verdade é que eu minto




                                                               
Clique: Luiz Fernando Prôa

Graal


Há uma outra leitura

dentro de cada poema.

Não se contente nunca

com um sentido apenas.

 

Há na superfície mesmo

escondida nas obviedades,

nas tônicas, nos termos,

nas vírgulas, na sintaxe,

 

uma pulsação que exala

o mistério das sensações,

uma alguma outra fala

que salta de formas e sons.

 

Sentidos muitos se tramam

em teias, em redes, impulso

onde o que nos humana

goza ao tocar o oculto.



                                                                                                                Clique: Luiz Fernando Prôa


Boas

Boa poesia é música

mas não só

 

Boa música é matemática

mas não só

 

Boa matemática é lógica

mas não só

 

Boa lógica é malandragem

mas não só

 

Boa malandragem é poesia

o resto é pó


                                                                                                                                                                                      Clique: Luiz Fernando Prôa


Limite
Para Mario Peixoto e Jane Duboc

I

Tudo que é

fechado

é pequeno

 

Tudo que tem

tamanho

é fechado

 

Tudo que se

percebe

é tamanho

 

Tudo

Fechado

 

Tudo

Pequeno

 

Tudo

Tamanho

 
 

II

Todo pequeno

é enorme no seu mistério

todo grande

é mínimo na sua simplicidade

 

O mistério da simplicidade

é o ponto cego

da compreensão

 

 

ponto em nós

 

a simplicidade do mistério

é o ponto

 

nós




                                                                                                                                           Clique: Luiz Fernando Prôa
 

O Rascunho

contém um poema

que o poema

impresso

não tem

 

O testemunho

na lenta rasura

na pressão do punho

na linha da letra

 

O cunho

 

Aquilo:

 

o que a palavra

nem




                                                                                                                Clique: Luiz Fernando Prôa



Inescapável
Para Marcus Vinícius

Não escolho o que vou fazer

não posso

 

Fantasio só

qualquer tentativa redunda

no mais redondo fracasso

 

Não decido o que escrever

me esforço

 

Por escrever só

Então escrito

respiro coragem

pra aceitar

o que decifro

 

Na folha

o que foi

minha escolha

 



                                                                                                                                                                                 
Clique: Luiz Fernando Prôa



Currículo
soneto sincopado

Já soquei tijolo já virei concreto

Já comi do bom e já pastei sem teto

Já passei vazio já sonhei repleto

Só me falta chorar pra ser completo

 

Já banquei o bobo me julgando esperto

Já fechei a porta e inda restei aberto

Já comprei a banca - já fui objeto

Só me falta chorar pra ser completo

 

Já plantei a dor tentando ser correto

Já tive razão mesmo sem estar certo

Já me fiz sublime - já fui abjeto

 

Já clamei por voz em um pleno deserto

Já me atrapalhei com tudo que é afeto

Só me falta chorar pra ser completo




                                                                                                              Clique: Luiz Fernando Prôa


Sonetilho
Pro Pessoa

Como Pessoa, eu não sei

se penso o que sinto ou

se não sinto o que pensei

 

confusão bem portuguesa

de quem não sabe o que é

come sal à sobremesa

escreve usando talher

 

só, ocupa todo o espaço

ao encolher-se de medo

não sabe que é o cansaço

que não o deixa dormir cedo

 

Já que não sei o que sinto

como Pessoa eu direi

toda verdade é que eu minto





                                                                                                                                                   Clique: Luiz Fernando Prôa


Hedonismo

À minha frente à esquerda,

A minha frente, esquerda.

 

Imagem invertida,

apenas um duplo,

amor limitado,

coisa pouca.

 

Espelho só se pode beijar na boca




                                                                                                                                                                                           Clique: Luiz Fernando Prôa


Wit
pro Elliot

As coisas não são o que vemos

As coisas nem são o que são

Toda certeza que temos

É vaidade:

Qualidade do que é vão
 



                                                                                                                  Clique: Luiz Fernando Prôa



Clã

papai papa papaia

mamãe mama mamão

vovó vive na vaia

titio tenta tantão

prima pra mim é praia

filho e filha filão


 


                                                                                  
Clique: Luiz Fernando Prôa


I

Deixar correr pelo papel a mão

solta

sem ciência

sem direção

 

curtir mais

a cor da tinta

a curva da linha

o sentido do traço

 

Que

 

o sentido do troço

o ângulo do logo

o brilho da oclusão

 

Deixar pelo papel correr a mão

 

II

Deixar pelo papel a mão correr

 

e ver depois

se desenhos

ou palavras

se riscos

ou recados

 

Lembrar sempre

que desenhos são palavras

palavras são desenhos

e todos são riscos

todos são recados

 

Depois respirar fundo

mergulhar na inspiração

até calar a Babel

então ao expirar

 

Deixar correr a mão pelo papel


III


Deixar pelo correr a mão papel

 

e que a mágica se repita

mil e tantas e muitas vezes

até que a mão se solte

ligando-se assim à fonte

à cascata do aguadeiro

que generosa se derrama

levando o que é vivo a brilhar

até ser capaz

de passar a luz adiante

 

Deixa




                                                                       Clique: Luiz Fernando Prôa
 

Singularidade
- Alumbramento -
Para Manuel Bandeira

Abriu-se um espaço no tempo

Abriu-se um tempo no espaço

Deu-se um silêncio no vento

Deu-se inequívoco passo

 

O espaço de tempo que é tempo

Bem antes de ser espaço

Expandiu um ponto lento

Pulsando tornou-se “eu faço”

 

E fez-se o universo imenso

E fez-se o calor do abraço

 


                                                                       Clique: Luiz Fernando Prôa

 



Poemas do Livro


 



Eduardo Tornaghi


                        Clique: LFP


Biografia

 


Se você gostou indique o endereço: www.almadepoeta.com/eduardo_tornaghi.htm
E envie seu comentário para o e-mail do autor:
eduardotornaghi@yahoo.com.br

Blog: http://papopoetico.blogspot.com/


Poetas em Destaque


Clique na imagem acima.


home    galeria de arte    poetas em destaque    poetas 3x4    poetas imortais    colunistas    cinema    concursos

páginas pessoais     agenda poética     poetas no You Tube      fala poesia     histórico

Clique e entre



Seu site de poesia, arte e algo mais...

www.almadepoeta.com

Alma de Poeta
©Copyright 2000 - 2009
  by Luiz Fernando Prôa