
Denilson Cardoso de Araújo

Tempestade
(colagem) - by
Denilson C. de Araujo
Para Assobiar
Meu poema é
casa destelhada
em ventania.
Versos preguiçosos
como, na soleira
de palavra cariada,
o cachorro do dia.
Paredes carpidas de mofo.
Pintura velha visgada
de lesmas cansadas.
Mas sigo,
alma largada em assobios
de espantar tristezas,
teimando em botar
numa jarra marajoara
uns brincos de
princesa...
Insistindo em esticar,
como seda rara,
esse trapinho de renda
sobre a mesa...

Beija-flor
(aquarela e nanquim) - by Denilson C. de Araujo
Ovo
Ao entardecer, um anjo coxo
percorre os ninhos do crepúsculo
e sacode os versos junto ao ouvido,
como um ovo.
Os que dentro trazem uma estrela
são atirados nas franjas do céu
e nos leitos dos rios.
Como sementes, caem sobre
as casas, bordéis, cinemas,
fábricas e capelas.
Trigo debulhado,
ficam lá, dentro de latas velhas,
boiando em valas negras,
sobre canteiros descuidados,
luzindo, bicados pelos passarinhos,
mijados pelos cães,
lambidos de lesmas e vento.
Até que um desses
poetas famintos,
tonto catador de luzes,
os embrulha nos
panos rotos da sua alma e,
chegando em casa, com
eles forma, na fornalha da poesia,
um novo pão a ser
repartido.

Poente
(colagem e guache) - by Denilson C. de Araujo
Evangelho
Dias houve, em que as
pegadas dos amantes na relva
transpiravam alfazema de orvalhos.
A terra floria em cetim suas luas e os crisântemos de renda
exibiam pistilos de açúcar.
Crianças dormiam à sombra das bananeiras de ouro,
no coração das bromélias sagradas.
Segredos cristalizavam na barriga das pedras.
Jardineiros não renegavam cuidados,
regando as almas pequenas, em sementeiras eclésias.
Mestres de vocabulárias orquídeas
faziam de cada palavra colhida,
sadia carne e mantimento potável.
Cozidas no caldo da prece e silêncio,
assadas em fogueiras na praia, como batatas,
as palavras, se bem degustadas, eram propícias
a horizonte poentes, pontes de encontro e
portais de alumbramento.
À tarde, com sua barba de veludo,
vinha Deus das suas vinhas lavouras,
com suas botas cometas, com seu cajado de ventos,
para apaziguar a noite felina, tangendo
desgarrados suplícios para o curral dos tormentos.
Guardava as estrelas mais novas
no galinheiro da calma e liberava, uma a uma, lume a lume,
as pirilampas alegrias colecionadas no milharal do dia.
Assim, acendia as querosenes galáxias.
Depois, sob o calor das constelações chamuscadas
desenhava focinhos do gênesis sombreando as mãos na parede.
Então desfiava velhas anedotas de araras de marte,
anjos confusos e papagaios do éden, e
soprava cometas sonoros e assobios de luz
na salmosa varanda do sempre.
A vida é, toda ela,
a mais funda saudade
desse tempo.

Metropolis (colagem, guache)
- by Denilson C. de Araujo
Lima
Somos ásperos.
A vida nos
raspa com sua lima.
Vamos ficando
em parte
afinados.
Em parte,
esfarelados.

Serenata
(aquarela e nanquim) - by Denilson C. de Araujo
Lição da Bactéria
Sei que
esta conversa não é fácil, a essa altura do campeonato,
mas... não,
não joga fora tuas mazelas.
Cata no lixo teu precioso tormento.
Se a bactéria tira do próprio sumo do veneno que lhe servem
a síntese de alimento que enrijece a capa de doença que a reveste...
Se assim faz na ferida do infortúnio que a ataca
a escada de progresso de um processo de escalada...
Se a bactéria de amanhã, com o que ontem a matava,
agora fortifica-se,
pára, um pouco só... e reflete.
A diferença entre derrota e linimento,
entre queda e nascimento,
é tudo uma questão de refinar o olho de águia
na escolha ponderada.
É como a água
que se precipita, e em vez de lamuriar suas quedas,
é luz que produz.
É caso de,
no feijão misturado na mesa do sentimento,
bem catar com a alma indicada no dedo, entre carunchos e restos,
a saúde que aflora, em réstia e rebento.
Missão de garimpo e empreitada do discernimento.
Ousadia da paciência que não despreza toda dor que,
por mais negra, no fundo,
não te pega, não te praga, nem te apaga,
antes carrega, no avesso do corrosivo,
a prata da pepita que em grande parte, tão grata, te sustenta.
Por isso,
não amaldiçoa nem mesmo a rude tragédia crua que,
se num lado, ao te deixar tão ralo, te desnuda,
noutro te veste em guerreira nobreza e,
encourando a resistência,
te faz veterano, te ajuda.
É o pilão da dor preparando
no grão duro da angústia, o farelo do contrário.
A graça, em seus misteriosos itinerários.
Aquilo que num melhor você te consolida.
O ser mais sólido em que, justo onde o osso trinca,
melhor ali se calcifica.
A vida, ali, onde seu músculo dói,
é onde engrossa e fortifica, e, serena,
segue a vida, e num
amanhã de canaãs te multiplica.

Máquina de ir a lugar nenhum II
(nanquim e aquarela) -
by Denilson C. de Araujo
Agendas
Na livraria,
assim, sem aviso,
uma brisa, um brilho,
sussurro gregoriano,
um anjo assobio,
a teofania que preciso?
Não, toda uma prateleira
com suas capas bailando,
castas datas valsando
me exigia.
Agendas cantantes,
quem diria?
Virgens, lembravam:
felicidade a gente tenta
e o amanhã se inventa
em alva página registrando
a encomenda:
viver é recomeço.
Páginas fendas
para espreitar augúrios
de bons futuros,
agendas
são frestas de diários,
ao contrário.
Inventários
de esperanças
onde engendramos
nossas lendas e
lavramos aniversários,
agendas são
amanhãs em melhor vivenda,
praticamente
manjedouras tendas.
De todas há,
desde as de raros canários
e com altos quilates
de precisos quintanários,
às de tribos bacanas
com poemas coloridos
e arte de estetas,
desenhos de artistas sacanas,
belos ditos de sábios
e profecias de patetas.
Alguns as desejam
sérias e parcas,
de couro negro enlutadas,
as que ensejam de relógios frios
a parentela mera,
as que só revelam datas
sisudas de espera
e eventos poucos,
afilhadas de
calendários sombrios e
medidores moucos.
Mas
dentre todos tantos parentes
dos clãs contadores de tempo,
agendas são justamente
as impossíveis tias loucas,
das que, assobiando madrigais,
se balançam nuas no
campanário dos dias
espalhando os imprudentes seios
em canções pelo emaranhado
de compromissos
que há pouco existia.
Ao lado de registros comerciais
garatujam uma estrela lilás,
nas semeaduras de primaveras
acendem hortênsias nos beirais
do novo ano estrada de serra
que com seus abismos
e auroras nos espera.
Um dia,
amarfanhadas
peças de antiquário,
guardarão rusgas
de nossos rasgados amores
como suaves rugas
num leve sudário.
Lembrarão
o pólen de nossas flores
e as dores de nossos calvários,
a esperança, sempre tanta
e o sonho, eterno e vário.
Num dia sem história
a lágrima manchada
de nadas doídos,
e, mel da memória,
o papel do sonho de valsa
que adoçou o lábio
da namorada com sua prata.
Agendas.
Em pétalas com pauta,
nada mais, nada menos
que história.
Aquela meio torta.
Aquela miúda e
exclusivamente nossa.
No fundo, a que
importa.

Krajcberg
(nanquim e aquarela) - by Denilson C. de Araujo
Natureza Morta
Na pia encharcada,
os cubos da abóbora nova
chupam o sol parado na vidraça
e aprendidos de poentes, refletem
no trapézio espelho da faca exata
as laranjas de ouro molhadas.
Substantivas, as frutas exalam
seu frescor nas manchas
do mármore esticado, como pele
de mineral leopardo.
Ao lado, úmida e lustrosa,
muito apta a vitaminas,
uma palavra quieta
aguarda a sua sina.

Natureza morta
(colagem, guache e fotocomposição) - by Denilson C. de Araujo
Brasília
Saído de um buraco no
meio da tarde,
o sem-teto arrasta na praça
sua imperial juba encardida
de chacoalhantes suicídios.
Passando em revista os refinados palácios,
com uma bandeira esgarçada na orelha,
com um casquete de um réstio chapéu,
presta continências sinceras às
sua carência de tríplices poderes:
alimento, afeto e agasalho.
Como uma ruga suja que rasga
a seda pérola da manhã varonil
emporcalha com os olhos magoados e
barba de profeta da angústia imensa
o medíocre ufanismo dos gramados gentis.
Quando seus dentes podres se abrem,
devora a nefasta mentira plantada
na vista bela de esculturas e prédios
de grife concreta e show-room esquerdista.
Depois atende à natureza imperativa e
sem cerimônia ou troca de guarda,
simplesmente, se alivia de pudores e,
um completo amazonas urina
na beira sul dos edifícios sem alma
na cidade repleta de bordéis de lobistas,
na cidade deserta de pátria,
na cidade berçário de párias,
do planalto central
do Brasil.

Canção para Mara
(aquarela e guache) - by Denilson C. de Araujo
Ode ao Guarda-chuva
Louvo a ti,
que, sob a casta teia de sombra da casa, ali permaneces.
Exilado no promontório de um canto, num cesto alagado.
Depois de usado, esquecido te quedas, naquele charco, encolhido,
com o comprido esqueleto de míope inseto recolhido.
Assim te fechas, viajado e contrito,
como um quixote etíope e antigo,
em sombra negra e magra que só à vista descuidada,
alguém terá por amarga.
Louvo a ti,
de quem não se alcança a limpa nobreza
de garça de ébano em pouso.
Não se adivinha a tua graça infinita e principesca
quando és visto em teu modesto repouso.
Ninguém mensura a extensão da tua fina coroa
que, embora em mortalha tecida, é uma majestade da vida.
Quando, como um pavão, do imenso ovo da noite saído,
abres, em mesuras, tuas plumas duras,
pairas como um alento, sobre alados pensamentos.
Aura protetora sobre a calva de santos pobres,
freqüentas as ruas como um monge,
equanimemente distribuindo a enxuta sopa da elegância.
A ti, que
ninguém intercepta no mistério que se assoalha, indecifrado,
quando és olhado de cima dos edifícios molhados.
Ou como quando és visto de um helicóptero,
pairando, lá embaixo, igual a um casco de tartaruga
em seu noturno pano delgado.
Multiplicado circulas, cardume de apagados planetas,
conduzindo protegida em tuas órbitas, acima das revoadas confusas,
a multidão semovente e nervosa.
A ti, que
que tanto vives quando te fazes acessório ou a brinquedo te prestas.
Elegante parceiro de azul dançarino, teclas as poças de música
em que canta na chuva um filme menino.
Na imensa Amazônia, deslizas no igarapé dos silêncios,
uma vitória-régia viúva, um negro cisne de seda pequeno.
Entoaste com o aberto breu da boca, numa barca oca,
um gramofone de Herzog na carcaça do sonho perdido.
Mas também estivestes pairando
em glauberianas procissões nordestinas,
em plenitude de asas sagradas, em compasso e espera escancaradas.
Como um triste pássaro mudo remavas sobre os rumos
da ladainha da miséria enlutada em finados destinos.
No vôo de marcial fantasia de monge chinês sobrevoavas Pequim
ou como a asa de Mary Poppins encantastes antigas crianças.
Tua afiada espada riscou na praia fugaz sua tênue e Anchieta poesia.
Ali buscaste guardar em letra os tantos préstimos e inacreditáveis ousadias,
do que praticaste em biografia, mas logo apagada pela onda borracha,
agora, epopéia calada, aqui, naquele canto alagado,
Ulisses mendigo disfarçado.
A ti, que
tanto admiro porque nunca anuncias,
quando muitos sequer suspeitam tuas tantas identidades secretas,
tantas qualidades de existência e refinadas opções de magia.
Te vêem assim, molhado, calado e simplório,
apoiado na curva do cabo, sustentado nessa alça barroca que indaga
e com sua ponta de adaga eternamente interroga
e te imaginam um nada.
Não sabem que és represa das chuvas,
que és anzol pescador da poesia,
pára-quedas dos ventos,
mestre ninja dos tempos,
que, quando secando aberto deitado ao contrário,
és parabólica paciente escutando o longínquo lamento dos dias.
A ti, elevo este canto
porque ouso compreender o que ninguém elabora, supõe ou adivinha.
Nessas varetas comprimidas, nesses articulados gravetos de arco,
guardas a súbita forma da felicidade tão módica, mas
ao mesmo tempo, suprema e indispensável alegria de bolso,
na casa miúda portável, em um guarda-chuva maquinada e contida,
com seus sonhos potáveis.
Coisa que és, em tantos utensílios e modos vários,
sempre modificável na tua calada fidelidade amorosa.
Como um cão guardião,
sempre pronto a abrigos de afeto, sempre alerta a serventias de carinho,
sempre prestes aos mais indispensáveis proveitos e
mais ternas utilidades e mimos.
A ti, que
ouso convocar a irmão,
quando percebo que, assim, a tudo tanto te entregas,
porque enquanto vives tua vida de oca portátil,
de ostra que guarda pessoa,
de invólucro de tanta coisa generosa e armário de tanta sombra boa
sei que anônimo, esperas no canto, calado e molhado,
como um herói que salvou a cidade
mas adentra a festa e, oculto, se senta discreto no fundo,
porque tem sua recompensa inaudita, secreta.
Compreendo o aguardo ansioso em que te acho,
dos merecidos carinhos de perfeição delicada
da rósea sombrinha vestida de sol e de primavera orvalhada,
tua dulcinéia princesa,
cuja pele chinesa logo encostará em teu peito
suas úmidas flores,
tão aguardadas, este prêmio sem preços,
este troféu dos que atravessam desertos de apreço,
porque vivem amores.

Navigandi
(crayon e hidrocor) - by Denilson C. de Araujo
Barbosa
Cruzei confusos
caminhos
com aquele anônimo negro
que, na sarjeta do tempo,
e no silêncio da história,
com dignidade arrastava na rua
sua sombra, atada aos pés
da sua estampa de conde.
Reconheci-lhe na efígie distinta
o marmóreo arquétipo que,
licenciado duma grega tragédia,
decola dum alfarrábio antigo
pra viver no mesmo dia
um calafrio e um épico.
Pasmo com o que lhe restou
de um sobrevivente sorriso,
saudei-o com a ternura
do admirador mais contrito
e estendi-lhe com os dedos
o gesto secreto da milenar
irmandade dos gladiadores
incompreendidos.
Lembrei de quando o vira no fundo
do vestiário escuro, soluçando
sobre o Maracanã derretido
que, num implacável domingo,
que partiu o século ao meio,
lhe desabara da cabeça
como um frio e desgarrado cometa.
Salve, injustiçado arqueiro,
com as abastadas glórias
reduzidas a um cisco.
Num único átimo sombrio,
suas tantas vitórias encolhidas e,
no fundo da treva que, em caverna,
se abre sob o cadafalso das traves,
atiradas no coliseu do vulgo injusto
como bizarras cabeças mortas
de tribo primitiva.
Salve irmão Barbosa,
grande homem dentro
da jaula de um relógio,
confinado num naufrágio,
na cela de um terremoto,
exilado, com um ponteiro
encravando no peito
um ensangüentado domingo.
Salve irmão Barbosa,
dá-me tua mão incrustada
de tantas famas tamanhas
mas tão desprezadas
por nossa memória tacanha.
Salve, irmão desabrigado,
asila-te no meu coração,
porque, os que pelos tempos
te desprezam e os que
pelas décadas te maldizem,
imprudentemente deslembram
que a todo e qualquer que
de mulher é parido,
mesmo aos melhores,
mesmo aos mais fortes,
mesmo aos mais bravos,
nalgum momento será concedido
seu próprio e inafastável dia
de goleiro aniquilado,
esse calvário portátil.
Nem todos o portarão
com tua cristalina efígie
e principesca galhardia
dos que, mesmo vencidos,
jamais serão
derrotados.

Teias
(colagem, guache) - by Denilson C. de Araujo
O Poeta Pequeno
Reclamavam do poeta
pequeno
que estragava apetites
com meros agrados sonoros,
verbos drops coloridos
e reles balas de ouvido.
Mas Pequeno se afirmava,
tranqüilo, botando
na aurora da panela
mais brigadeiro de festa:
-O açúcar meu é pobrinho,
mas é cristal do
sincero.

Máquina de ir a lugar nenhum I
(nanquim e aquarela) -
by Denilson C. de Araujo
De Toda Crise se Deduz
De toda crise
se deduz:
o diamante mora
em bruta crosta.
É como quando
o disco de prata
em negra nuvem,
invisível, no céu,
naufraga, moeda
mergulhada no cofre.
Só adivinha a
lua branca
no veludo escondido
o galilei de olho fino
e o coração, em luneta
afiado.
Só conquista
o bom quilate
o esforço sincero
do empenhado braço.
Só o alcança
a fé disposta em
broca exata no
apropriado aço.
O entendimento
que brota é
um canto claro,
uma seiva inconteste,
um quinhão
decifrado,
um anjo todo
aparelhado de abraços.
Toda convulsão
é invólucro.
Toda crise é
crisálida.
Envelope encardido
em malotes,
onde chega
a carta da amada.
Toda crise é
o fermento-prova
da coisa nova que
nasce.

Denilson Cardoso de Araújo
Nasceu em Petrópolis (RJ), 29/12/1959.
Ex-bancário, hoje, serventuário da Vara da Infância,
da Juventude e do Idoso de Teresópolis.
Socialista e cristão (necessário rearrumar casa e moradores, casca e miolo).
Por preguiça acadêmica e fobia escolar, autodidata em ignorâncias diversas.
Autor de textos jurídicos, alguns premiados em concursos da AMAERJ
(Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro)
e da FESP (Fundação Escola do Serviço Público do RJ).
Alguns destes textos podem ser vistos em:
(http://www.clubjus.com.br/?artigos&ver=17148.16073)
Palestrante sobre temas ligados à infância e juventude.
Já foi colunista de jornais em Petrópolis e Teresópolis.
"Quanto à poesia, publiquei por precoce edição "pai-trocinada", 'Luzes
do Meu Caminho' (1980), por Edições Pirilampo, 'Poesia em família' (1987) e
em "edição do autor", 'Farrapos, Cacos & Escreveduras' (1992).
Ainda quanto à poesia, Ledo Ivo disse com a firmeza e honestidade que
lhe são peculiares, pra eu desistir. Mas antes Manoel de Barros, com a piedade
que Deus lhe deu, tinha dito pra eu continuar. E nisso recebi uns prêmios,
aqui e ali (Academia Teresopolitana de Letras, FESP, de novo, etc). Como a
coceira da poesia me habita desde a infância, sigo tentando. A alma pede.
A mesma coisa com desenho, pintura e colagem. Fiz umas exposições,
ilustrei uns jornaizinhos, vendi umas aquarelas. Sigo tentando. A alma pede."
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endereço:
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18/05/2008