Dalila Balekjian


no meu peito      toca um coração     que se reparte     multiplica-se em mil faces




será deus quem me olha?

Será que Deus me olha
assim lá do infinito espaço
velando por mim no céu
e eu aqui deito-me em olhos
na sua imensidão-regaço?
alço meu vôo corpo lasso
em asas de falso aço
fazendo de meu o quase laço.
eu me envolvo, revolvo
e me dissolvo finalmente
num sem fim abraço.
amor, dor, perdão e o não
são mãos que reclamam
da solidão que me arde
e em chama me chamam
pra dentro do coração.
e pra dar paz ao sim
e à rejeição eu faço de mim
à guisa de um poema
este ser que te contempla
e reinventa a oração.

 



palmas e luzes

palco-poema

é tudo
e tudo é vida
é cena
o mundo
se comprime
resume-se
numa só platéia
e se espalha
entre cadeiras
em torno
de mesas

no meu peito
toca um coração
que se reparte
multiplica-se
em mil faces
e que estoura
nos aplausos

e não há FIM
na memória
vão e voltam
ecos dos sons
dos poemas
das palmas
e das luzes

 



fêmeas

do veneno
— a cobra
do desejo
— o homem
e o que sobra?

mulheres
a dizer cobras @ lagartos

nas ruas de telinhas
quebrando os seus altos

olhos de fora
mentes à mostra
línguas-anis
de serpentes blues

de repente
soul
shopping
compras legais
batons
e perfumes florais

de serpente
a todos dizendo sempre:
eu? jamais!


 



procuro-me


vou caminhando

com a cabeça cheia de idéias

as palavras escorrendo pelo corpo

como sangue quente nas veias

procurando por interrogações

questionando as respostas

soltando os meus medos

deixando minhas pisadas

seguindo uma dança

articulando muitos engastes

encaixando os meus acertos

achando mil rostos

em cada imagem

vou seguindo ereta

em todas as direções

mudando as teclas

ao encontro de outro som

abro mão das capas

dos pés e chão

ser alado e amorfo

é minha a minha meta

e quando olho o resultado

frente a frente com o espelho


não me reconheçooooooo maaaaaaaaaais!

 




Caleidoscópio

A vida foge de mim,
tento colhê-la,
mas me foge dos dedos.
 
Olho em volta
e não me reconheço
nos objetos ou espaços.
 
Viro-me pra dentro,
mas não me encontro
nos meus seres interiores.
 
No cerne pulsante
dos meus sentimentos,
não estou mais.
 
No ponto mais distante
da espiral do meu ver
há somente o céu.
 
No volúvel farfalhar
da minha mente humana
só avisto minhas asas.
 
Nas difusas ranhuras
do meu sofrido coração
restaram indeléveis marcas.
 
As minhas mãos
estão  cruzadas prendendo
um apertado laço,
 
pois meus braços
escondem meu corpo
num abraçar conformado.
 
Inutilmente eu me curvo
 e no fundo do olhar,
só vejo meus pés.
 
Desolada caminho
nas feitas pegadas
do insinuante percurso
 
que outrora fiz
nas tristes passadas
do meu destino,
 
eis que finalmente,
no justo ponto
em que te encontrei,
 
junto com a esperança
que hoje eu perdi,
ali sozinha, eu me achei.
 



Dino Dinossauro


será reprise?

não deixe!

caminho de extinção...

 

dino

dinossauro

remotas épocas!

sobreviver como?

- catástrofes: mortes...

homem feito homensauro

tu não te cansas

de matar tanto?

a natureza traz

e tu záss!

e lá se vão

almas

palmas

e é tanta

a matança

que desejar

virar um ovossauro

será minha próxima oração!

 




Eu sou dose!

Comigo ninguém pode dizer
que não foi amado,
quando gosto é pra valer.

 

Comigo ninguém pode sentir solidão,
quando “estou” é pra todo lado.

 

Comigo ninguém pode estar sempre triste
porque eu rio a toda hora.

 

Comigo ninguém pode reclamar
que não é notado,
pois eu vou mergulhando
até o fundo.

 
Comigo ninguém pode ter desejo sobrando
porque eu cozinho do que gosta,
deito-me quando quer
e amo do seu jeito.


mas também...

 

Comigo ao lado ninguém fala,
eu falo, pelo menos por dois.

 

Comigo ninguém pensa,
eu estou sempre querendo adivinhar.

 

Comigo ninguém respira,
eu confesso: sou sufocante.

 

Sufocante?
- Sufocante, estressante e atolada
e é por isso que comigo ninguém pode!

 




o colecionador

e aquele homem

tudo colecionava

 
amores
amontoados em prateleiras


mágoas
guardadas no freezer


dias de chuva
em potes com flores


dias de sol
que lhe serviam de luz


corações a consertar
em gavetas


almas
que lhe serviam de cortina


um dia
ele saiu de casa


quis guardar o mar
e nunca mais voltou...

 




êxtase


os teus olhos nos meus lábios

fazem aflorar o teu sorriso
antevendo o néctar esperado.
os nossos corpos entrelaçados
- misturam-se, dissolvem-se.
as tuas mãos me iluminam
como se fosses o meu sol
e aclaram a lua para deixar
a noite mais prateada.
minha alma se fraciona
qual tênue feixe de luz
perpassando tímido
a porta entreaberta.
o tempo não é mensurável
e meu chão inacessível
com o céu dentro de mim.
há estrelas no meu coração
e tu nele mergulhas
como se fosse um mar.
e nós naufragamos juntos
em êxtase
no âmago dos nossos sentidos.

 



o ponto de ônibus


subi no ônibus e não tem lugar

na vida também não tem

lugar pra parar e ficar

os minutos correm

com o tempo que se dissolve

e a praça ficou longe

com os dígitos trocando

 
a janela anda com a paisagem

brincando com o sol que troca de lado

e a sombra teima em não levar o calor

que pinga no meu rosto

 
as idéias se derramam

e se soltam da boca

como bolhas no ar


bicicleta e carrinho

mais carroça de pipoca

e o Zé da esquina vende seu milho

queria comprar paciência a quilo

e ser sábia e quieta como um lago

 
passou do ponto

e te vi à minha espera

olhando pro lado

de onde deveria chegar

e eu me pergunto

se algum dia conseguirei

descer do ônibus

no lugar certo!...
 




primavera de tardio romantismo


e naquela noite
você surgiu assim do nada,
me abraçou roubando beijos
e mergulhou em mim
como se fôssemos água...
haviam mãos, pernas
e nossos corpos se uniram,
mas soava como não se existíssemos:
você era chama e eu o ar...
quando não havia mais sede
eu me multipliquei em grãos
de imaginária praia
e você se fez em mil gotas
de ondas do meu mar...
e enquanto eu sonhava acordada
o nosso mundo se transformou,
uma luz brilhante brotou do chão
subindo ao céu como nuvens de nós dois
espalhando-se então por toda a Terra...
e depois quando no meu despertar
havia um brilho diferente nos meus olhos,
nos meus lábios verdes sons,
voavam borboletas a formar o meu corpo
e nasceram plantas e flores em lugar dos meus cabelos...

 



palavras

as palavras falam
- por mim
 
por mim elas falam
falham entre os meus espaços
dentro dos meus laços
 
no meio dos versos
incorretos
ineptos
em mostrar o que sou
 
sem rimas
ritmos
sons
 
só letras
pretas
coladas ou soltas
 
inexpressão
constatação
do eu: não

 


Perfil Literário


Descendente de família paulista fazendeira de café e dos
quatrocentões da família dos Sá.
Filha de Maria Eugênia Carneiro da Cunha e Mello,
professora e acadêmica e de Osmar José de Sá,
advogado e jornalista.
 Dalila Maria da Cunha e Mello Balekjian é carioca
e reside há 17 anos na Barra da Tijuca .
Nascida do meio de poetas, na Tijuca aos oito anos fez seu
primeiro poema e com catorze começou a escrevê-los
no seu diário, que ainda guarda.
Morou depois no Cosme Velho e de lá saiu para se casar.
Residiu em Botafogo, Jardim Botânico e Leblon.
Mais tarde, aqui na Barra, e já com as filhas crescidas
entrou na vida literária ,

Terminou o segundo grau no Colégio Anglo Americano-Botafogo,
ingressando em seguida na Faculdade de Arquitetura da
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Trabalhou com dedicação, sempre gerenciando setores
de firmas particulares de arquitetura e engenharia ou trabalhando
como autônoma prestando serviços de planejamento físico e financeiro .

Em 2001 entrou para a Academia Pan Americana
de Letras e Artes (APALA) à convite do seu presidente
fundando a cadeira do escultor Honório da Cunha e Mello.
Época em que recebeu o troféu no concurso literário
com um ensaio da Academia Carioca de Letras e
Mérito Cultural da União Brasileira de Escritores.
Entrou para a Academia de Letras do Estado do
Rio de Janeiro (ACLERJ) à convite do seu presidente
fundando a cadeira da escritora Luciana Barbosa Nobre,
onde recebeu a Medalha de Mérito Cultural Modesto de Abreu.
Foi agraciada também com a Medalha de Mérito Cultural
Luciana Barbosa Nobre pela Academia Nacional de Letras e Artes (ANLA) .

Em 2002 entrou para a Associação de Diplomados da
Academia Brasileira de Letras (ADABL) com um ensaio
literário sobre Augusto dos Anjos.
Nesse mesmo ano, à convite do presidente da Academia
Guanabarina de Letras, tomou posse na cadeira do
escritor Miguel Couto e se tornou membro da diretoria .

Na Academia Brasileira de Letras fez, durante quatro anos,
os Ciclos de Conferências oferecidos pelos acadêmicos
recebendo diplomas por dezenas de cursos completados.

Em 2004 entrou para Associação Profissional de Poetas
do Estado do Rio de Janeiro (APPERJ), frequentando
e recebendo destaque em 2004, 2005 e 2006, por sua produção
poética nos concursos onde alcançou várias colocações.

Em 2005 foi uma delas no evento apperjiano Todas Elas & Alguns Deles,
que focaliza a voz feminina no século XXI.
Recebeu títulos do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais
e Sociedade de Cultura Latina do Rio de Janeiro,
ingressou no Movimiento de Poetas del Mundo.

Em 2007 editou seu primeiro livro de poemas contemporâneos
“metamorfoses “ que lançou na Academia Brasileira de Letras
e na XIII Bienal do Livro do Rio de Janeiro.
Neste mesmo ano aceitou o convite do Clube dos Escritores,
com sede em Piracicaba, para fazer parte do seu Conselho Acadêmico
e se tornou membro da União Brasileira de Escritores (UBE).
Em 2009 entrou para o Sindicato de Escritores do Rio de Janeiro,participou da XIV Bienal do Livro-Rio publicando para esta 4 títulos: a reedição de "meta morfoses" e o lançamento dos livros: "Fugas", "Dalila Prosa & Poesia" e a estréia na categoria infantil com o livro "Rodopio" dos quais vendeu 300 exemplares.

Nesses anos recebeu as honrarias:
Medalha Olavo Bilac (CEBLA), Mérito Juscelino Kubitschek,
Medalha Tiradentes e Medalha Anita Garibaldi (FALASP),
Medalha de Bronze (APALA).
Como prêmios em concursos acadêmicos: Medalhas de Prata,
Bronze e Menções Honrosas e expôs em salões de Atmaísmo,
onde alcançou várias premiações.

É ativa na Internet, participando de vários sites.
 


Contatos com a autora através do e-mail:
dalilabalekjian@yahoo.com.br


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16/01/2008