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Textos sobre hipocrisias do dia-a-dia!

 

 

A MEDICINA, COMO FÁBRICA E MERCADO DE ANGÚSTIA


E aí? Já tomou suas vacinas? Já checou seu colesterol? A glicose? Os triglicerídios?

Cuidado com a tireóide! O fígado, os rins, os intestinos, a bílis negra, os corrimentos, as veias do
reto. Tantos por cento morrem com câncer nas tripas! Cuidado!
As piores doenças são silenciosas! Vá
regularmente ao dentista. Um dente podre pode afetar seu coração! Existem mil tipos de aritmias! E
os olhos? Cheque frequentemente a pressão de seus olhos. Olha o glaucoma aí gente! Todo mundo é
diabético! Há uma propensão ao alcoolismo e à depressão na espécie. A depressão será o Grande Mal do
Mundo! Comece a tomar remédio desde já. Vá verificar o estado de seus ossos. Lembre que você não é
uma minhoca. Os exames que eram qüinqüenais passaram a ser semestrais. O status médico não pode ir
para o buraco! Não dá para ficar com equipamentos parados. Vamos fazer exames, passar a vida fazendo
exames até encontrar as raízes da morte em nossas entranhas. Ninguém o curará de nada, mas pelo
menos você ficou sabendo. Apalpe seu corpo, você pode descobrir alguma anomalia: um caroço, uma
espinha, uma veia pulsante, um chip. Mesmo que não seja nada grave, pelo menos lhe dará a
experiência da angústia e a angústia, você sabe, é sinal de que você está vivo. Lambuze-se
diariamente com protetor solar. O mais caro é sempre o melhor. E a próstata? Olha lá! Olha lá! A
próstata é uma glândula de fácil desarranjo, como praticamente todo o corpo, foi um erro estúpido na
evolução, mas os médicos, por dez ou doze mil poderão remediar ou mesmo extirpar esse mal. Vá ao
geriatra. Mantenha-se lúcido como uma pantera até aos noventa anos! Não dê ouvidos àqueles que acham
que a longevidade é um projeto tolo da burguesia e um truque das multinacionais dos medicamentos.
Arraste-se pela vida, nem que seja como um verme, até o FIM. Mas resista. Esteja sempre entre as
caravanas que vão mensalmente à Aparecida ou a Juazeiro do norte! Se sua aposentadoria não for
suficiente para comprar remédios, vá ao banco, faça empréstimos. Quase sempre os banqueiros, que são
acionistas também dos planos de saúde e das importadoras de medicamentos, transbordam de compaixão
para com os da quinta idade. E as tetas? A indústria da mamografia só não cresceu mais que a
indústria imobiliária e a indústria da cocaína. Comece a fazer seus exames a partir dos vinte anos.
Você só tem quinze? Vá assim mesmo. Se você não quer parar de comer suas afrodisíacas feijoadas com
cachaça e leite condensado, faça redução de estômago. Corte-se! Quanto mais cicatriz tiver, mais
dará a impressão de ter vivido. Seja um homem ou uma mulher de seu tempo, pois tanto as vidas, como
as guerras, acabarão sempre no cemitério.

Ezio Flavio Bazzo

 

 

 

 

No país onde se prende uma mulher por roubar um pote de margarina, deputados colocam no bolso 15 mil reais, usando notas fiscais falsas, e vão sofrer apenas penas alternativas.
(nem todos os brasileiros são iguais perante a lei)



Temer defende penas alternativas para deputados que usaram notas frias


GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), disse que encaminhará amanhã para a Corregedoria da Casa a denúncia publicada pela Folha de que empresas com endereços inexistentes são beneficiárias da verba indenizatória de R$ 15 mil recebida mensalmente pelos 513 deputados.

O presidente disse que se as irregularidades forem confirmadas após investigação da Corregedoria, haverá punições aos parlamentares envolvidos nas fraudes. No entanto, ele reconheceu que as penas podem ser mais "brandas" que a cassação do mandato.

Temer defendeu penas "alternativas" para os deputados envolvidos em irregularidades, como no caso das notas fiscais. Como o Conselho de Ética da Câmara já absolveu o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) por suposto uso irregular da verba indenizatória, Temer disse acreditar que penas alternativas possam ser aplicadas pelo conselho para punir os deputados, ao invés da cassação do mandato.

"Há um projeto de modificação do regimento do Conselho de Ética que permite até a gradação de penas. Eu tenho patrocinado esta fórmula porque às vezes não é caso de cassação imediata, mas de punição de menor natureza. Estamos trabalhando nessa tese também", afirmou.

O presidente da Câmara descartou a extinção da verba indenizatória, mesmo após as denúncias de irregularidades na sua utilização.

"Toda vez que você vai falar em extinção da verba indenizatória fala-se em aumento de salário. Aí a crítica passa a ser outra, passa a ser precisamente em função do aumento salarial. Eu não quero nem falar sobre isso, porque se falo, a notícia é que o presidente Temer propõe aumento de salário. É tema difícil e delicado. Por enquanto, acho que temos que deixar como está", afirmou.

Segundo Temer, a Corregedoria da Câmara vai investigar os temas listados pela reportagem da Folha como irregularidades no uso da verba.

"Levantaremos aqueles que sejam eventualmente irregulares, que não sejam meros indícios. Prefiro não fazer juízo de valor. Prefiro que se faça a apuração, e a apuração vai determinar o valor que se dará a essas informações", disse.

Denúncia

A verba indenizatória é um adicional mensal pago aos parlamentares para despesas relacionadas a sua atividade. O dinheiro pode ser usado para reembolso de despesas ligadas ao mandato, como alimentação, hospedagem, aluguel de veículos, aviões e escritórios, entre outros.

A Folha teve acesso por via judicial a 70 mil notas fiscais referentes aos quatro últimos meses de 2008, que justificaram reembolsos de supostos gastos de deputados federais. A reportagem, no entanto, encontrou empresas que não existem no endereço declarado à Receita ou são totalmente desconhecidas do mercado, funcionando de forma invisível ao consumidor comum.

Em 2001, o Congresso criou a verba indenizatória, adicional mensal no valor de R$ 15 mil para despesas de trabalho. O salário de um deputado é de R$ 16,5 mil.

 

 

 

 

NÓS, OS QUE MATAMOS TIM LOPES (*)

Affonso Romano de Sant’Anna

 

Você que, numa festa, vai ao banheiro cheirar uma carreirinha de pó, você matou Tim Lopes.

Você que dá festas elegantes servindo êxtase em bandejas para seus sorridentes convidados, você matou Tim Lopes.

Você que se encontra com sua turma no bar, fica ali pela calçada com um copinho na mão, mas dá suas cafungadas, porque isto faz parte da”nite”, você matou Tim Lopes.

Você, ator de teatro e televisão, que manda ver nas drogas, você matou Tim Lopes.

Você artista e intelectual que curte seu pozinho e faz elogio de um equivocado conceito de   marginalidade estética, você matou Tim Lopes.

Você jornalista, que curte sua droguinha de vez em quando, você matou Tim Lopes.

Você músico, que para embalar seus shows entra no barato, você matou Tim Lopes.

Você policial, que pactua com o crime, que faz vista grossa e que recebe propinas do tráfico, você matou Tim Lopes.

Você advogado, que defende traficantes, que faz de tudo para tirá-los de trás das grades, você matou Tim Lopes.

Você juiz relapso, que neglicencia processos de traficantes, você matou Tim Lopes.

Você político demagogo e clientelista, que só se aproxima da favela para tirar votos, você matou Tim Lopes.

Vocês que fizeram essa política recessiva, que abre empregos no tráfico, vocês mataram Tim Lopes.

Enfim, matamos Tim Lopes todos nós que de maneira direta e indireta  pactuamos com o crime. Porque chegamos a um tempo em que a participação indireta tornou-se tão infamante quanto a prática direta do próprio crime.

E não se trata de um exercício do famoso complexo de culpa judaico-cristão. Trata-se, isto sim, de fazer uma auto-crítica pessoal e do sistema que engendramos.

O fato é este. Estamos numa guerra. O governo por inépcia custou a reconhecer isto. Esta guerra já tem mais de 30 anos. Era como se os nazistas tivessem já invadido a França e o governo francês tivesse levado 30 anos para perceber. Há 22 anos, por exemplo, escrevi sobre esta crise. E  há muito, correndo o risco de ser mal interpretado, dizia que as Forças Armadas tinham que entrar nesta guerra, antes que virássemos Colômbia.

Numa guerra não há meio termo. Quem fornece munição ao inimigo está ajudando o outro lado a vencer. Quem dá o seu “tapinha” eventual está não só fortalecendo o traficante como ajudando a que tombem outras vítimas - os drogados. Do mesmo modo que há que traçar novas estratégias bélicas associadas a  maciças ações sociais, temos  também que rever nossas posturas éticas e até estéticas.

Dou-lhes um exemplo. No dia em que Tim Lopes foi assassinado, estava eu no MAM vendo uma exposição de arte contemporânea, que incluía trabalhos de Hélio Oiticica,  artista da vanguarda e da marginalidade artística nos anos 60 e 70.  Na parede, entre suas obras, uma bandeira amarela  com a reprodução da foto do bandido Cara de Cavalo morto e, em cima, uma  frase do artista: “Seja marginal, seja herói”.

Houve, portanto, um tempo, tempo recente, quando esta guerra estava começando em que, em nossa cultura, era um charme louvar o marginal. O artista se julgava um marginal, um guerrilheiro e procurava neles pactos ideológicos, éticos e estéticos. Surgiu toda uma cultura “underground”, que se opondo, às vezes heroicamente, ao sistema, fez uma perigosa aliança com o submundo das drogas. Por contaminação, chegou-se  até a   criar um tipo de literatura  que se gabava de ser “literatura marginal”. Claro, havia a ditadura para justificar certas posturas. Mas a contaminação estava feita. E nos dois sentidos. Mesmo os guerrilheiros presos na Ilha Grande, nos anos 70, reconheceriam que passaram conhecimentos e táticas de guerrilha para os presos comuns. Havia ainda a visão romântica de que se poderia cooptar o marginal para a revolução. Na verdade, estava ocorrendo o contrário. Os marginais estavam nos cooptando e expandindo seu mercado, corroendo pelas drogas o sistema. Hoje, reconhece-se, são um “estado paralelo”. Elias Maluco e os comparsas que organizam bailes funks onde as letras das músicas recomendam torturar e queimar opositores, esses, para nosso constrangimento, adotando a técnica da “apropriação” tão cara à pós-modernidade, jubilosamente acenam sua bandeira no topo da miséria: “Seja marginal, seja herói”.


(*) do livro NOS OS QUE MATAMOS TIM LOPES (Ed Expressão e Cultura, Rio 2002)

 
 

 

 




_ ainda somos os bobos da corte do português que nos pariu..._



vozes ecoam, peitos estufam-se, passistas sambam pela avenida, a cuíca repica pelos morros, até mesmo o bêbado lá do planalto se vangloria, porque “somos o povo mais feliz do planeta”.
macabra essa nossa felicidade porque editada em retratos fúnebres, de um povo que agoniza dia a dia, porque vivemos a morte em efígie escrita nas letras do sangue de nossos irmãos, amigos, filhos, respingado em nossas almas, já vencidas.

ainda assim há quem acredite em tal apologia, seja por olhares cegos, seja pela alienação, ou porque a dor mora ao lado, ainda não sabe ou esqueceu de seus endereços, e assim como o louco da corte, perdem vistas da realidade, olhos embaçados por destilados e fermentados, e seguem etilicamente felizes.

somos felizes por que:

- a guerra urbana, do oiapoque ao chui, entre bandidos e policia se agiganta a cada dia?

- as estáticas de inocentes assassinados batem a média diária de 40 vítimas dia?

- as balas perdidas rasgam nossos céus, nossos homens, mulheres, jovens, crianças , nossas casas , nossas vidas?

- aos nossos recém nascidos, seja pela falta de leitos nas unidades neonatais, ou por infecções hospitalares, lhes é negado o direito de existir?

-eloas, grabielas, gustavos, cleides.. dia sim outros também são assassinados por balas perdidas (?)?

-nas portas dos hospitais, avolumam-se a cada hora gente de toda parte, morrendo à mingua, enquanto espera por um atendimento que ,se chega, já é tardio?

-as lucianas, albertos, edsons, mários e marias, alvos de policiais x traficantes, ficarão inertes por tetraplegia enquanto durarem seus dias?

- o armamento dos bandidos é de primeira linha, com alcance de até 700 metros, e porque lhes apetece mostrar poder, derrubam helicópteros da policia?

-emprestamos dinheiro ao FMI, que nos sugou ,espremeu e cortou nossa garganta durante décadas?

- pela copa do mundo e pelas olimpíadas, virem para terras brasilis, e pelos gastos de 30 milhões com infra-estruturas, que se tornarão elefantes brancos (tais como as do Pan), desviando verbas da saúde e da educação?

- somos governados (seja por nossa omissão ou ignorância mesmo) por eficientes quadrilhas?

- nossos aposentados receberam 3% de reajuste?

- o turismo sexual alimenta os cofres de nossos empresários, cada vez mais, ano após ano?

- os pedófilos acham o brasil uma maravilha?

- a Amazônia continua a ser destruída, apesar da média-mídia, das cristianes torlonis , ambientalistas de ocasião ?

- a violência contra a mulher e contra o menor, as invasões urbanas, a violência policial, os altos índices de acidentes com vítimas fatais, no trânsito, rebeliões de presos, é o filme brasileiro com maior índice de bilheteria?

por tantas outras razões similares ,que poderiam aqui ser descritas, é que somos felizes?

eu não!

vivemos em estado de agonia, nossos pobres cada vez mais pobres, nossos miseráveis estão ai pelas vielas, becos e ruas, o iraque é aqui, estamos diante os números de uma guerra civil, e eles são obscenos.

por tudo isso, esse soco na boca do estômago da cidadania e da democracia.

mas o louco do planalto continua voando pelos ares do mundo a expelir insanidades, a destilar mentiras.

nós-povo brasileiro, continuamos de olhos vendados, ávidos por espelhinhos, bugigangas e apitos, porque ainda somos os mesmos bobos da corte do português que nos pariu...apesar dessa sofrida e amarga vida severina!



Nana Merij

 

 
 

 
 

Lá se vão os heróis da resistência, humana às vezes até desumana, lutando para salvar mais uma vida, isso já ta virando rotina, eles nem sentem mais o frio correr na espinha por verem um ser humano com um tiro de fuzil na cabeça, não passa de dever de casa tentar salvar mais uma vida. CARAMBA! É UMA VIDA!

A culpa de tanta frieza não é destes heróis e sim da sociedade que tem digerido a violência como se fosse uma feijoada no sábado às 14 horas em plenos 40°C, sente-se um peso, um mau estar, mas logo toma um digestivo que passa, e ainda pensa: NOSSA! Mas, ainda bem que não foi com agente! Isto até ter uma bala perdida perfurando a sua janela enquanto dorme, fazendo vítima um dos membros da família, porque depois desta sena a feijoada no calor deixa de ser apenas um indigesto e passa a ser um fardo com uma ferida difícil de cicatrizar.

Caramba! Não vamos ficar de braços cruzados aguardando que nós ou alguém da nossa casa seja o infeliz sorteado! BASTA! Temos o direito de exigir que o nosso Governo Federal faça algo! Afinal os belos salários, diga lá com direito a mensalões, que saem dos nossos bolsos através de tanto suor, devem ser honrados de alguma maneira.

CHEGA!

Sirenes, luzes, câmeras, ação!

Só vemos isso na mídia, antes era só em filme, hoje é a nossa realidade. Com o grupo Poetas Del Mundo e lendo uma carta do Luiz Fernando Prôa vejo que não estou só em um ideal de PAZ, que não são apenas pensamentos de uma mera idealizadora e sim, que tem muita gente se incomodando e agindo, mesmo que só.

Mentalizo sempre para que todos acordem e parem de olhar apenas para o seu umbigo, somos uma sociedade, temos que cuidar uns dos outros, acreditar que isso irá acabar e que a injustiça, violência, hipocrisia, serão páginas de um passado marcado por muito sangue e dor de inocentes, mas que nos servirão para escrevermos o nosso futuro de paz.

Deixo aqui meu protesto pela PAZ e a gratidão aos nossos heróis que largam suas famílias em casa para irem socorrer as vidas de membros de outras famílias, 24 horas por dia. Aos companheiros desta causa, o meu forte abraço e esperança de podermos escrever um futuro diferente juntos!

 

Kérlia Nether Nassau

Minas Gerais – Brasil

(10 / 11 / 2009)
 

 

 

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