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Nesta página iremos acrescentando matérias sobres drogas.
Para um debate sem preconceito é importante que estejamos informados!



 

 

Ministério público quer proibição da venda e do consumo de cerveja nos estádios brasileiros que irão sediar a Copa 2014.

 

O Ministério Público de São Paulo quer conseguir a proibição da comercialização de cerveja e bebidas alcoólicas nos estádios do país durante a Copa de 2014, que terá como sede o Brasil.

 

Os estádios brasileiros estão proibidos de vender cervejas desde abril de 2008, por decisão conjunta da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com os ministérios públicos estaduais. Mas a Federação Internacional de Futebol (Fifa) estaria disposta a mudar de opinião e pedir a liberação do consumo durante a Copa por conta do contrato com a cervejaria Budweiser, que prevê venda de bebidas alcoólicas nos estádios, como nas últimas seis Copas do Mundo.

 

"O Ministério Público vai brigar com todas as armas para que isso não seja permitido. Não é porque é um patrocinador forte que vai querer mandar e mudar as regras do Brasil", afirmou o promotor Paulo Castilho à Agência Brasil.

  

Fonte: Agência Brasil/Blog Uniad

 

 

 

 

146 projetos de lei tramitam simultaneamente na Câmara dos Deputados solicitando restrições à propaganda de bebidas alcoólicas

 

Projetos de lei que tratam de restrições à propaganda de bebidas alcoólicas tramitam em conjunto, na Câmara dos Deputados, atrelados à proposta de 1994, o PL 4846/94Apesar de ser nomeada uma comissão especial para analisar os projetos sobre o tema, o trabalho não foi adiante, o que levou o deputado Lincoln Portela (PR-MG) a apresentar o Requerimento 5151/09 para que o presidente da Câmara, Michel Temer, nomeie integrantes para discutir o assunto. Há um total de 146 projetos parados, sendo que alguns incluem também restrições à propaganda de fumo, medicamentos e terapias.

Durante audiência pública na Câmara, o ministro José Gomes Temporão defendeu a aprovação do PL 2733/08, do Executivo, que proíbe rádios e TVs de veicularem, das 6h às 21 horas, propaganda de bebidas com teor alcoólico superior a meio grau Gay Lussac (GL).
Se aprovado, o projeto prevê que cervejas, champanhe e vinho passem a ter as mesmas restrições de propaganda já impostas às bebidas mais fortes, como vodca, cachaça e uísque, que possuem teor alcoólico superior a 13 graus GL. Para o ministro, a medida é necessária para complementar os resultados positivos obtidos com a Lei Seca no trânsito. 

A proposta do Executivo foi muito criticada pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) durante audiência anterior, em junho de 2008, quando seu presidente, Gilberto Leifert, afirmou que as bebidas alcoólicas são produtos lícitos e que as restrições à propaganda ferem a liberdade de comunicação comercial. "A crença de que a proibição da propaganda de um produto resolve problemas complexos por mágica é fantasia", argumentou.

Fonte: Portal da Câmara

 

 

 

 

Doenças causadas pelo álcool fazem mais vítimas

Saúde & Lazer   

 

Um estudo feito pelo Ministério da Saúde (MS) constata que houve aumento no número de mortes por doenças relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas no País. O número passou de 10,7 mortes por 100 mil habitantes em 2000 para 12,64 em 2006, o que corresponde a uma elevação de 18,3% em seis anos. Os dados usados pela pesquisa foram retirados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) no Brasil. Neste período, 92.946 óbitos tiveram como causa doenças relacionadas exclusivamente ao uso do álcool, e 146.349 mortes ocorreram por doenças associadas à ingestão da substância, entre outros fatores.

A coordenadora-geral de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis do Ministério da Saúde, Deborah Malta, disse que apesar de o Brasil estar dentro da média mundial, o aumento (do consumo) é motivo de preocupação. "O índice varia de país para país. No México, por exemplo, onde o álcool está muito integrado à cultura local, o número de mortes tem proporções maiores, já nos países islâmicos o hábito é bem diferente e por uso frequente e prolongado e precisamos estar atentos", afirma. isso os dados são inferiores. No Brasil os números mostram o o uso frequente e prolongado e precisamos estar atentos", afirma.

A pesquisa analisou exclusivamente a exposição crônica ao álcool, ou seja, o uso prolongado de grandes quantidades. Dentre as causas de mortalidade mais comuns, estão a cirrose, a pancreatite aguda e crônica (a que mais mata), doenças cerebrovasculares, envenenamento pelo álcool (mais comum na infância), entre outras. Além disso, o estudo constatou que a mortalidade é maior entre os adultos.

Deborah orienta que as aqueles que rotineiramente fazem o uso excessivo do álcool procurem assistência médica. "O uso do álcool por longo prazo leva a doenças que podem ser fatais. As pessoas devem procurar uma unidade de saúde mental em seu município que atenda a usuários de álcool e drogas. Outra opção é buscar a assistência em terapias de grupo como o que é feito, com muito sucesso, pelos Alcoólicos Anônimos", afirma.

A coordenadora da pesquisa destaca ainda que o apoio familiar é bastante importante. "Muitas vezes é difícil para alguém que é usuário durante muitos anos parar de repente, mesmo que isto esteja prejudicando a sua saúde. A solidariedade da família é fundamental para a recuperação", garante.

Adultos entre 50 e 59 anos são os principais afetados

A pesquisa do Ministério da Saúde mostra também que as maiores vítimas fatais em decorrência do uso contínuo do álcool são os adultos de ambos os sexos que estão na faixa etária entre 50 e 59 anos. A coordenadora-geral de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis do ministério, Deborah Malta, explicou que esse foi o grupo que teve o maior aumento na taxa de mortalidade. Em 2000, havia 35 óbitos por 100 mil habitantes e, em 2006, o número passou para 45 óbitos por 100 mil habitantes.

Deborah alertou para o fato de que o jovem usuário pode ser um futuro doente crônico, já que é esta faixa-etária que mais consome doses excessivas de álcool. "Com a idade aparecem os problemas. Se o jovem for um sobrevivente das causas agudas, pode, na idade mais avançada, desenvolver uma doença crônica", afirma.

Os fatores agudos de mortalidade envolvem o uso do álcool por um período curto e pontual. Dentre as causas de mortalidade associadas a essa exposição à bebida, estão acidentes de trânsito, homicídios, suicídios, quedas e afogamentos. "Até 30% dos homicídios e entre 40% e 60% dos acidentes de trânsito têm relação com o álcool", destaca.


Fonte: Jornal do Comércio

 

 

 
 

"A solução é liberar todas as drogas"

Ex-policial americano que prendeu mil
traficantes como infiltrado diz por que reprimir não resolve

NELITO FERNANDES
 

Ele passou 14 de seus 71 anos infiltrado em grupos de traficantes de Nova Jersey, nos Estados Unidos. Hoje, anda com um broche em que está escrito “Policiais dizem: legalizem as drogas. Pergunte-me por quê”. Se você perguntar, ele lhe dará uma série de estatísticas. Se a conversa durar um pouco mais, Cole contará sua história de vida. Em sua última missão, Cole saiu de casa quando a filha tinha 12 anos e só tornou a vê-la aos 14. Revoltada e acreditando ter sido abandonada, ela só voltou a falar com o pai quando fez 21 anos. Hoje, Cole dirige uma ONG que reúne juízes, promotores e policiais em 76 países, todos a favor da legalização das drogas. Nesta entrevista a ÉPOCA, ele lista seus motivos para defender a liberalização – e as razões para o fracasso da política antidrogas dos EUA.


ENTREVISTA - JACK COLE


QUEM É

Tenente aposentado da divisão de narcóticos da polícia americana. Tem 71 anos. É casado e tem três filhos


O QUE FEZ
Trabalhou por 14 anos como agente infiltrado para combater o tráfico de drogas em Nova Jersey. É um dos fundadores e atual diretor executivo da ONG Law Enforcement Against Prohibition (Leap), uma organização que reúne policiais, juízes e promotores pela liberação das drogas. Percorre o mundo dando palestras.

 
ÉPOCA – Como é a vida de um infiltrado no tráfico?
Jack Cole – Não é tão emocionante e heroico quanto a gente vê nos filmes. É um trabalho que ninguém deve fazer por mais de cinco anos. Isso foi o que meu superintendente disse, mas eu acabei ficando 14 anos. É o tipo de serviço que faz muitos estragos na cabeça do infiltrado. Pela ótica de quem declara guerra ao tráfico, faz sentido. Porque toda guerra precisa de um espião. Eu era o espião dessa guerra que não estamos vencendo e não vamos vencer.

 
ÉPOCA – Como sua família reagia?
Cole – Estou em meu terceiro casamento, e dois deles acabaram enquanto eu era infiltrado. Não preciso dizer mais nada. Ninguém além de sua mulher pode saber o que você faz, então você vive uma vida paralela, de que seus filhos não sabem. Em alguns casos você aluga uma casa, passa parte do tempo lá e volta para a sua casa de verdade todas as noites. Em outros, não pode nem voltar para casa. Em minha última missão, eu saí de casa quando minha filha tinha 12 anos, fui para outro Estado, vivi com bandidos e só voltei quando ela tinha 14 anos. Ela achou que eu tinha abandonado a família e só voltou a falar comigo quando fez 21 anos. É devastador.

 
ÉPOCA – Como entrava nas quadrilhas?
Cole – Não eram exatamente quadrilhas. Na maioria das vezes eram pessoas como nós, e a única diferença deles para nós é que eles decidiram colocar algo em seu corpo que nós não colocamos. A maioria nem sequer usava arma. Era gente que pegava drogas e repassava para os amigos, e muitos nem tinham lucro com isso. Meu trabalho era baseado em alvos. Eu tinha de me transformar no melhor amigo do alvo, a ponto de ele me fazer confidências que mais tarde seriam usadas contra ele. Então eu passava a ir aos lugares que eles frequentavam, pagava uma bebida, puxava um assunto ou tentava comprar uma droga. Depois era só ir às reuniões, às festinhas, onde eles perguntavam quem queria ficar doidão.

 
ÉPOCA – O senhor chegou a ficar amigo de verdade de algum traficante?
Cole – Sim, claro. Por que não ficaria? Como eu disse, são pessoas normais, como nós, que em algum momento resolvem se drogar.
Muitos deles, para sustentar o vício, resolvem vender para amigos. Você vira confidente, mas faz também confidências. Você pensa o tempo todo que está sendo um traidor, mas tem de ficar firme até o final da operação. Em geral, prendíamos todos de uma vez, e eu era preso também.

 
ÉPOCA – Depois de serem presos, eles sabiam quem era o traidor?
Cole – Na hora da acusação, eu tinha de testemunhar. Eles tinham o direito de saber como foram presos. Minha presença os fazia se declarar culpados, porque sabiam que eu tinha conhecimento de tudo. Quando alguém ia preso, era como se uma parte de mim fosse presa também, porque eu dividi minha vida com aquela pessoa. Uma vida falsa, mas em determinado momento você não sabe mais o que é verdade e o que é falso, porque você vive aquilo. Não esqueço o olhar de decepção deles quando me viam no corredor do tribunal. É um trabalho nojento.
O pior é que hoje vejo que nosso trabalho na década de 70 acabou provocando mais tráfico e bandidagem.

 
ÉPOCA – Por quê?
Cole – Uma das bandeiras de Richard Nixon para se eleger (à Presidência dos Estados Unidos, em 1968) foi a guerra total ao tráfico. Quando eu entrei para a polícia, em 1964, meu departamento tinha 1.700 policiais e sete deles trabalhavam na divisão de narcóticos. Em 1970, eram 76. Eles multiplicaram por 11 o número de policiais nas divisões de narcóticos. Só que não havia tanto tráfico assim. Naquela época, só 2% dos americanos usavam drogas. Hoje, são 16%. Era difícil mesmo achar traficantes, principalmente em cidades como Nova Jersey. Transformaram um terço dos policiais em infiltrados,
para prender pequenos traficantes de bairros menores e justificar a verba. Então começamos a prender, prender e prender. Policiais mentiam sobre a quantidade de droga apreendida, porque quanto mais você apreendia maior o salário. A chefia de polícia chamava a imprensa, mostrava os presos e dizia: “Seu bairro está cheio de traficantes”. Assim conseguiam verba.

 
ÉPOCA – Por que o senhor faz uma relação entre o número de presos naquela época e o aumento do tráfico hoje?
Cole –
Prendemos gente que tinha recuperação, que não era exatamente um traficante. Só eu prendi uns mil. Gente comum que foi para a cadeia e lá conheceu traficantes de verdade, fez um verdadeiro curso intensivo de tráfico e outros crimes. E não se recuperam quando saem de lá. A condenação é uma mancha que não sai de sua vida jamais. Quem vai dar emprego? A alternativa é traficar mais, roubar e matar, ainda mais depois de fazer amizades e se profissionalizar na cadeia. Você pode superar o vício, mas jamais vai superar uma condenação. A única forma de quebrar essa corrente é liberar as drogas.

 
A polícia compra uma metralhadora; o traficante, um
foguete. A polícia compra um tanque; o traficante, uma bazuca

 
ÉPOCA – Mas, se a maconha for liberada, aparecerá alguém traficando cocaína. Se a cocaína for liberada, aparecerá alguém vendendo crack...
Cole – E por que não podemos liberar tudo de uma vez? Temos de liberar todas as drogas.
No momento em que liberarmos, acabará o tráfico. Ele simplesmente não vai mais precisar de armas, nada disso. As drogas seriam vendidas em qualquer lugar, e o consumidor saberia exatamente o que ele está usando, como vocês têm na embalagem de cigarro os avisos de todas as substâncias que o produto contém. Os governos deram às polícias a missão de proteger os adultos de si próprios. Isso não faz sentido. Não funcionou com o álcool, e nós levamos 30 anos para perceber isso. Na hora em que legalizamos o álcool, acabou o crime provocado pelo álcool.

 
ÉPOCA – Mas os problemas de saúde relacionados ao álcool persistiram.
Cole – E os da droga estão aí sem o menor controle.
É um equívoco achar que as pessoas vão se drogar mais e que teremos mais problemas. Portugal descriminalizou as drogas em 2001 (mais exatamente o consumo de maconha, cocaína, heroína e meta-anfetaminas) e o consumo entre jovens de 12 a 15 anos caiu 25%. Também caiu 22% entre os jovens de 16 a 18 anos. Porque as pessoas passam a saber mais sobre as drogas. É inevitável. A contaminação por aids com agulhas usadas caiu 71%; as mortes por overdose, 52%. Isso acontece porque as pessoas não precisam ir para os guetos e dividir agulhas. Se você legalizar a droga, sabe o que vai acontecer no dia seguinte nos morros do Brasil? Eles vão estar fora do negócio, não vão ter mais território para defender. Eles só têm armas porque precisam se defender da polícia e das outras gangues.

 
ÉPOCA – Só que as armas já estão lá e podem ser usadas para cometer outro tipo de crime, com ou sem drogas envolvidas.
Cole –
O tráfico é um dos crimes mais difíceis de combater e o que mais corrompe a estrutura policial, porque o tráfico precisa de ponto fixo e, para ter ponto, você precisa comprar a polícia. O tráfico também não tem vítima direta. Tanto o traficante quanto o viciado se beneficiam do negócio. Então você não vai ter um viciado dando queixa. Já num assalto a banco é impossível ninguém dar queixa. Para um adolescente pegar uma arma e entrar num banco é muito mais difícil. Já para ele vender drogas aos amigos, dar recado de traficantes, vigiar a polícia, é muito mais fácil. Sem contar que o traficante que serve de exemplo para ele não vai mais estar ali.

 
ÉPOCA
Aqui estamos discutindo colocar metralhadoras em helicópteros e aumentar a pena por tráfico.
Cole –
Não estou querendo me meter nos assuntos de seu país, mas não cometam o mesmo erro que nós. Você coloca uma metralhadora no helicóptero, o traficante compra um foguete. Você entra com um tanque, ele compra bazucas. E isso vai parar onde? Vão fazer um Vietnã urbano?


 

 

 

 

Do UOL Notícias - 16/11/2009 - 11h55
 

40% dos jovens dependentes começaram a usar drogas entre 7 e 11 anos, aponta pesquisa.
 

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (16) pela Secretaria de Saúde de São Paulo aponta que 40% dos jovens atendidos pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) começaram a usar drogas entre 7 e 11 anos. A primeira substância consumida por 57% deles foi o cigarro. Maconha e álcool também aparecem no topo da lista, sendo consumidos por 51% e 38% dos jovens, respectivamente.

Depois vem os inalantes, com 18%, a cocaína, com 17% e, por último, o crack, com 10%.

Segundo o autor da pesquisa e coordenador do Programa de Adolescentes do Cratod, o psicólogo Wagner Abril Souto,
nota-se que os jovens optam primeiramente pelas drogas consideradas lícitas, como cigarro e álcool, que embora sejam proibidas para menores de 18 anos, são de fácil acesso na sociedade.

"
Normalmente, o primeiro contato acaba ocorrendo dentro da própria casa, por meio de familiares ou amigos próximos. Muitas vezes, os jovens em recuperação têm outras pessoas da família também em tratamento de combate à dependência", afirma Souto.

O levantamento, realizado entre 2007 e 2009, foi feito com 112 dependentes de 12 a 18 anos do centro. Ele mostra ainda que um terço das crianças de 11 anos disse estar fora de escola e 91% dos alunos do último ano no ensino médio apresentam defasagem escolar.

"
Quanto mais cedo os jovens passam a consumir drogas, maiores as chances de adquirirem dependência química. A falta de interesse na escola, o absenteísmo e os comportamentos disfuncionais, como agressividade e isolamento, são inerentes ao envolvimento com essas substâncias", analisou o psicólogo.



 

 

 

 

Matéria obtida no Jornal da Cidade – (internet) - 01/11/2009

 

DROGAS: UM DESCASO DA SOCIEDADE E DO ESTADO

 

Diante de tragédias relacionadas às drogas como assassinatos e suicídios de pessoas que possuem um certo destaque no cenário nacional, ressurgem as discussões sobre dependência química. Sobre o que não se faz e o que precisa ser feito.

Infelizmente, muitos estão morrendo vítimas das drogas e parece que pouco se tem feito. Temos visto pessoas que desesperadamente tomam atitudes extremas e absurdas, como acorrentar o filho, ou então fazer celas na própria casa para que o filho não se drogue.

Em todos os casos, o que sempre podemos observar na fala destes familiares desesperados, é a inércia e a ausência do Estado. Pessoas que estão à deriva sem ter a quem recorrer.

Como alguém que trabalha na área de dependência química, conheço bem a realidade dessas famílias, como também conheço a omissão do Estado. As entidades terapêuticas estão tão abandonadas quanto as famílias. Não há acompanhamento, não há ajuda financeira, enfim, as entidades que atuam nesta área, sofrem os mesmos abandonos e descasos. Por isso, muitas vezes não conseguem dar ao dependente químico nem o mínimo do tratamento exigido.

A grande maioria das Comunidades Terapêuticas (CTs), não possuem terapeutas ocupacionais e psicólogos – profissionais básicos nesse tipo de tratamento – a necessidade de pessoal é suprida apenas por recuperandos, que já se encontram em uma fase mais adiantada dentro do tratamento na instituição, mas que sobrevivem das migalhas que recebem como doações, sejam elas vindas dos familiares de alguns recuperandos ou de pessoas de boa vontade. Enfim, as CTs apenas fazem tratamentos paliativos, recorrendo à espiritualidade e à fé. Isto é, entregando tanto a entidade quanto o recuperando nas Mãos de Deus para conseguirem vencer a dependência.

É comum se criticarem as CTs por fazerem uso da espiritualidade com seus recuperandos, mas deixo algumas perguntas em aberto: como não recorrer à espiritualidade, num País que não está nem aí para o tratamento de dependentes químicos? Que não faz nada para que as entidades possam dar um tratamento adequado e digno aos seus recuperandos? Como as entidades (CTs) podem dar melhor qualidade de tratamento, se não têm recursos financeiros nem para manter profissionais de saúde e nem mesmo para dar suporte aos voluntários desta área?

Enfim, é complicado imaginar uma mudança no quadro de violência ou de saúde, quando o assunto é drogas, pois o Estado sempre que faz alguma coisa, faz mal ou pela metade, isso quando também não está ausente.

Infelizmente, o quadro de desespero de pais que têm filhos dependentes químicos como também dos absurdos que cometem, não vão ter um fim imediato, pelo contrário, cada vez aumentará mais, pois cada dia aumenta o número de dependentes químicos e diminui o de entidades destinadas ao tratamento.

É comum a televisão fazer matérias sensacionalistas com entidades que tratam mal os recuperandos (dependentes químicos) e também sobre algumas entidades de renome nacional, que recebem recursos sejam do Estado ou de grandes empresários ou ainda de entidades do exterior, mas nunca vi matérias feitas nas maiorias das CTs que são pobres, mas sérias e que procuram fazer seus trabalhos mesmo sem ajuda, vivendo no total abandono do Estado. Entidades estas que são na maioria das vezes, acolhedoras dos dependentes que não possuem nenhum recurso financeiro.

Em suma, é difícil parte da sociedade querer mudar a realidade das drogas e dos dependentes, se a maioria dela (sociedade) não está nem aí ou somente se interessa por este problema, quando passa a vivê-lo em sua própria casa.

Ataíde Lemos

 

 
 


Observem nesta matéria os trechos grifados, são os mais significativos.

  

A Rússia tenta, mais uma vez, deter o vício da vodca

The New York Times

Clifford J. Levy

(...)
O presidente da Rússia, Dmitri A. Medvedev, tem expressado esse sentimento com frequência (do álcool ser uma calamidade nacional) e diz que o governo precisa fazer alguma coisa sobre o fato de o país ser o líder mundial em consumo de álcool.

O Kremlin já derrotou um vício neste ano, o jogo nos cassinos, que foi quase totalmente banido em julho. Mas beber - em especial a vodca - é uma coisa completamente diferente. É um dos pilares da vida russa, uma espécie de "lubrificante social" muito apreciado e um meio fácil de escapar da dureza do dia-a-dia.

Medvedev quer punições mais fortes para quem vender álcool para menores de idade, além de restrições à cerveja, que vem se tornando mais popular entre os jovens. A venda de cerveja em quiosques seria proibida, assim como a de grandes engradados da bebida. O governo poderá tentar controlar mais o mercado de vodca, que continua sendo a bebida alcoólica mais comum.

Mas os planos de Medvedev dão continuidade a uma longa história de campanhas a favor da abstinência, que remontam há séculos. A mais conhecida foi lançada por Mikhail S. Gorbachev, o último líder soviético, que ordenou que as prateleiras de vodca fossem esvaziadas e que vinhedos históricos fossem destruídos em meados da década de 80. As medidas foram bem sucedidas em um primeiro momento e resultaram em um período de abstinência que chegou a aumentar a expectativa de vida.

Mas elas também despertaram fortes reações públicas que ameaçaram a permanência de Gorbachev e do partido comunista, e ele acabou renunciando.

Nos últimos anos, enquanto a Rússia se recuperou e se envolveu mais com o mundo,
o álcool obstrui seu desenvolvimento. As empresas estrangeiras que operam aqui ficam cada vez mais conscientes desse impacto quando tentam combater a baixa produtividade.

Os russos consomem aproximadamente 17,5 litros de álcool por pessoa anualmente, mais do que o dobro do nível considerado saudável pela OMS (Organização Mundial de Saúde). O consumo nos Estados Unidos é de aproximadamente 8,5 litros.

O país terá dificuldades para resolver sua crise demográfica - espera-se que a população diminua em 20% até 2050 - se não enfrentar seu problema com o alcoolismo. Atualmente a expectativa de vida de um homem na Rússia é de 60 anos, em parte em decorrência do alcoolismo.

De acordo com um relatório publicado pelo "The Lancet", uma revista de medicina inglesa, pesquisadores que estudaram a mortalidade em três cidades industriais na Sibéria no anos 90 descobriram que durante vários anos o álcool foi a causa de mais de metade das mortes de pessoas entre 15 e 54 anos, muitas vezes por meio de acidentes, violência ou intoxicação.

A Câmara Pública, que aconselha o Kremlin, afirmou que cerca de 500 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência direta do álcool ou têm a morte agravada por ele.

"Não importa que as pessoas digam que ele está profundamente enraizado em nossa cultura, que é praticamente impossível lutar contra o alcoolismo na Rússia", disse Medvedev, "precisamos reconhecer que outros países, e vocês sabem quais, foram bem sucedidos em seus esforços para lidar com essa questão".

Vários especialistas dizem que duvidam que o governo seja capaz de alcançar muitos resultados a menos que seus planos sejam drasticamente endurecidos. Eles dizem que o passo mais importante seria o aumento do preço da vodca por meio de pesados impostos e o fechamento de destilarias irregulares. Um litro de vodca custa atualmente apenas R$ 3,50.

Eles destacam que, em outros países, como na França, as pessoas bebem bastante, mas principalmente vinho e cerveja, bebidas que são vistas como menos prejudiciais. O problema aqui são os destilados.

Em Mystishchi, com 170 mil habitantes, Poludnitsyn diz que a necessidade de impor mais limites é evidente. A delegacia normalmente recebe cerca de doze pessoas por dia e muito mais durante os feriados e finais de semana.

"Não é uma batalha que pode ser vencida em apenas um ano", diz ele. "É uma luta de muito tempo, talvez décadas."

O consumo de álcool aumentou drasticamente desde a queda da União Soviética em 1991, apesar de menos pessoas embriagadas serem vistas nas ruas nos últimos anos, em parte porque a polícia está fazendo um trabalho melhor para retirá-los da rua.

Dr. Aleksandr V. Nemtsov, do Instituto de Pesquisa Psiquiátrica de Moscou, é um dos maiores especialistas em álcool da Rússia e afirma que pouca coisa vai mudar se o Kremlin não levar a sério o fechamento das destilarias irregulares, responsáveis por metade da vodca produzida no país, e que normalmente são protegidas por policiais corruptos.

"O governo não quer que as pessoas pobres fiquem sem vodca barata", diz Nemtsov. "Porque é melhor para eles que as pessoas fiquem embriagadas. Você deve saber que Catarina, a Grande, disse que era mais fácil governar um povo embriagado. Essa é a raiz do problema."

Nemtsov diz que seria besteira restringir a venda de cerveja. Segundo ele, já que é pouco provável que as pessoas parem de beber completamente, o governo deveria preferir que elas bebessem cerveja.

Viktor F. Zvagelsky, membro do partido do governo no parlamento, discorda e diz que
jovens que começam com a cerveja depois passam para a vodca.

Ele diz que o apoio de Medvedev e do Primeiro Ministro Vladmir V. Putin ajudaria a superar a oposição da indústria do álcool contra mais restrições.

As cervejarias, muitas delas pertencentes a conglomerados estrangeiros, têm impedido há anos as tentativas do parlamento de aplicar à cerveja as mesmas regras aplicadas à vodca, como a limitação das propagandas e a restrição dos locais e horários de venda, diz Zvagelsky.

"O lobby dos fabricantes de cerveja é muito forte", afirma.

Formas ultrapassadas de lidar com o problema ficaram evidentes na delegacia de Mytshchi. Depois de ficarem sóbrios, os detidos foram fichados e avisados de que teriam que pagar uma multa antes de serem liberados.

O valor é de 100 rublos (R$ 6), o mesmo desde os tempos da União Soviética.


Tradução: Eloise De Vylder

 

 

 


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