Carmen Vervloet


... sua essência mistura-se a minha          num encontro casual         tecido pelas estrelas          fio a fio          artesanal...



Alegria de Viver

Celebre a vida!...

Cante... Cultive... Encante...

Sorria... O sorriso contagia!...

Eleve o tom

E grite ao mundo

O quanto é profundo

O amor que sente por ela!

Não fique a espera...

Acelere... Busque seus sonhos...

Corra atrás da alegria

Que surge com o nascer do dia...

E caminha entre risos e sorrisos

Procurando sempre por você.

Não fique a mercê

De tristezas e melancolia

Saia desta apatia.

Agarre a felicidade!

Ela não tem sexo, nem idade...

Mas tem o perfume da flor...

Tem o brilho do amor...

Tem luz e tem cor!

Encante-se com ela!

Abra portas e janelas

E deixe-a entrar

Junto à brisa que afaga!

Junto ao sol que ilumina!

Abra os braços...

Receba-a num terno abraço!

Ela aquece o coração

Embrenha-se na emoção

E pousa lá no âmago

Do seu ser, sem alarde.

Apenas te faz conhecer

A magia de ser feliz

E de viver!
 




Amor Andarilho

Sou perfume, sou flor,

Sou poesia, sou cor,

Poetizo, dou alento,

Valorizo o riso,

Eternizo sentimentos!

A alegria concretizo

Nos descaminhos da vida

Transformo em sorriso a dor!

 

Sou o desabrochar delicado

De rosa branca, anacarado,

Sou a paz que alivia

Sou luz e sou magia

Sou gerador de emoção

Na nascente do coração

E me esparramo pela terra

Subo ladeiras e serras

E entre sulcos escorro

Deixando a minha trilha

Que como o sol... Brilha!

E ilumina outros caminhos!

 

E sou o rochedo

Sólido, resistente

 Não tremo por medo

E me faço presente

 Recebo o vendaval... Paciente!

E do alto do meu cume

Junto ao meu perfume.

Lanço um olhar

Que segura o que vai desabar!

E lanço ao mar

 Minha jangada

E vou machucando

 O silêncio da madrugada
Conjugando bem alto

O verbo amar...

Contra as ondas a remar...

 

E assim vou vagueando

Pelas curvas do tempo

Deixando meu sentimento

Nas ruas, nas esquinas,

Longe e perto,

Em terra fértil, no deserto.

Sou o amor andarilho

E com meu brilho

Teço pétalas de felicidade!
 




De Coração

Eu te ofereço...

Lágrimas de arrependimento...

Por ter perdido tantos momentos...

De pura ternura... De afeto...

Deste nosso amor intenso e completo...

 

Eu te ofereço...

O meu sorriso franco...

O meu desvelo e meu encanto...

Para secar teu pranto...

Para inspirar teu canto...

 

Eu te ofereço...

Minha vibrante alegria...

Este sol dourado... Esta magia...

O manto da harmonia...

A luz... O som... A sinfonia...

Os versos da minha poesia...

 

Eu te ofereço...

Caminhos cheios de cor...

O sonho... A semente... A flor...

Uma nova vida... Viço... Esplendor...

Eu te ofereço... Meu eterno amor!...

 

Tu és o maestro que rege minha vida...

Em acordes de carinhos...  Florida...

Rosas... Cravos... Miosótis... Lírios...

Beijos... Afagos... Carícias... Delírios!...
 




Segundo Ensejo da Criança

(Abandono)

Mas se moram nas ruas

Dormindo em calçadas

Sem teto,

Sem roupas,

Nuas,

Sozinhas, abandonadas,

Em drogas viciadas

Buscando o torpor

Para substituir o famigerado amor!

Roubando o pão que lhe foi negado

Direito seu, usurpado...

Por governantes inescrupulosos

Que se mostram bondosos

Mas tiram-lhes tudo...

Até o carinho!...

Tristes... Desesperançadas...

Almas revoltadas...

Sem escolas, sem profissão...

Sem banho... Pés no chão...

Sem saúde... Doentes...

Como pretender que sejam decentes?

E assim vão se formando os marginais

Na escola da miséria...

Do abandono...

Onde quem deveria ser o patrono

É o ladrão

Que põe a culpa no mordomo

Dando como solução

Presídios em edificação!

 

Ah! Meu Brasil amado!...

Você precisa de políticos ponderados!...

De homens sensíveis...  Iluminados!...

Berçando sonhos jamais realizados!...

Acendendo a treva em corações

Tão machucados!
 




Doce Água Doce

Brota do olho

 da terra que chora!

E ainda menina

 acetina o chão

eterna adição

 corre entre trilhas

reflete a luz... Brilha...

E num crescente...

 Fonte... Nascente...

Dá-se gratuitamente

 a semente que germina,

a flor tão pequenina,

 aos bichinhos sedentos,

as plantas em crescimento,

as lavadeiras de sonhos,

aos homens em desalinho

com a essência da vida...

A sua mais preciosa bebida,

 em extinção...

Sem zelo, nem proteção...

Poluída...

Por lixo, invadida...

Maculada...

 Por homens insanos...

Comprometidos com planos...

De riqueza... De poder...

Anestesiados... Sem perceber...

Que sem você,

 água cristalina...

Doce água dançarina...

Que sem você,

 tudo é incerto...

Sem vida...

 Deserto!
 




Teus lábios

Teus lábios tocam os meus lábios

Roubando um beijo inocente

Mas meu coração que é sábio

Reconhece um sabor diferente!

 

Sabor de morangos pequenos

Orvalhados pelo sereno

Que acorda meu desejo

Em acordes de realejo!

Faz tremer o meu corpo

Deixa meu coração louco!

 

Minha sorte está lançada

Início de caminhada

No escuro da madrugada

Contra o tudo ou o nada

No desconhecido da paixão

Na cegueira da razão...

 

Entrego-me sem medo

Atiro-me qual bêbado

A este sentimento que surge

E me aturde...

Na vibração do meu corpo...

Na essência deste horto...

Eu aspiro ardentemente você!
 




Caminho do só...

Fadas do tempo...

Acendam as estrelas em luz!

Levem este meu sentimento

Às rotas do vento

Libertem-me desta cruz!

A noite fez-se em breu

E perdi o rastro de Jesus.

Tropeço em sombras

Esbarro em ondas

Que me levam sem dó

Neste caminho do só.

A dor machuca... Fere...

Faz sangrar meu coração...

Mas não transfere

Esta minha solidão.

Na vastidão deste tempo

Conduzo meu pensamento

Que retorna a branca areia.

A dor corre entre veias

Da fria madrugada...

No tempo do nada...

No breu da estrada...

Levaram meus sonhos,

Meus lábios risonhos...

E agora sou apenas

Uma triste cena

De uma noite sem luz...

Arrastando a minha cruz...

Socorram-me fadas

Ou acabo em nada!
 




Os Olhos não Mentem

Teus olhos me olharam

 De um jeito tão intenso

E me falaram de um amor tão imenso...

Que não precisou nem um instante

Envolvida por raios abrasantes

Para que eu caísse em teus braços

E revelasse num sentido abraço

O que teimava em negar meu coração

Derramando emoção!...

O amor foi reacendido brilhante

Entre estrelas fulgurantes,

Lua nova e verde mar...

Meus olhos a falar o que meu coração

Não podia, nem queria negar!...

Num silêncio profundo

Que te ouvia a respirar...

As palavras perderam o sentido

E este amor tão contido

Explodiu em beijos e carícias

Entre lágrimas lavando a dor

Acendendo em luz o amor!

Nosso teto o céu brilhante

Bordado por estrelas fulgurantes!...

Nosso lençol... A branca areia!

Nossa música... O canto da sereia

Suave e terno a embalar

Este doce e intenso amar!

E neste mágico momento

Isentos de mágoas e ressentimentos

Éramos um só corpo, um só pensamento...

Banhados pelas águas do mar

Fundidos no conjugar do amar!

 

O tempo em mágico transe parou!...

A estrela Dalva piscou...

E nós esquecidos do mundo

Em silêncio profundo a dançar

Sobre a espuma do mar...

Como cúmplice, somente a natureza...

Nesta cena de rara beleza!
 




Mágico Momento

No frenesi deste tango

Vão nossos corpos acompanhando

Entregam-se a cada voltear sensual

Deste dramático ritual.

 

A música sugerindo cada passo

Ditando cada compasso

Nossas almas flutuam

E perpetuam...

O êxtase... O amor...

 

Eu dançarina... Eterna menina...

Nos cabelos linda flor

Rosa rubra de paixão

Que machuca o coração!

 

Olhos nos olhos

Respiração ofegante

Ondas que vem... Oscilantes...

No crescente deste som

Que se propaga em vários tons!

 

Mágico momento cristalino

Frenético tango argentino

Espírito enlevado

Amor perpetuado

Tango envolvendo o coração

Fazendo renascer a adormecida paixão!
 




Fios de Vida

Acendo a casa perene do sonho

Com o beijo do sol no dia...

E atentamente me ponho

A escutar uma melodiosa sinfonia!

 

Coral de pardais regidos pelo amanhecer!

Meu amor esculpido em alabastro...

E eu ciente do que fazer

Desenho sonhos no ar, sem deixar rastro!

 

Fujo da veia mercenária

Onde corre a perfídia da inveja

Fria... Astuta... Sanguinária...

Guardo em segredo, os meus medos.

 

Meu amor, sentimento profundo,

  Mistério não revelado...

Escondo seu beijo num pote de mel cerrado.

Não quero ver meu sonho esfacelado!

 

O amor que por você derramo

Como gotas de orvalho

Que molham a madrugada

Ao mundo não proclamo!...

 

Sussurro ao seu ouvido

Sou sua, querido...

Até meu sol se por...

No tempo que meu corpo costura

Com fios de vida!...
 




Chuva de Lembranças

Como é bom ter olhos para ver o mundo!
O céu nublado olhado de um jeito profundo!
Escoando chuva miúda, límpida, fina...
Regando meu amado jardim, com água tão cristalina!
O verde relaxante das folhagens que vem e vão...
Contrastando com flores coloridas que gratuitamente se dão...
Flores e folhagens unidas num perfeito casamento,
Embalando sonhos lindos, trazendo a tona latente sentimento.

Volto ao tempo de infância...
E a chuva, as flores, o cheiro de terra molhada...
Trazem a saudade, o perfume, a fragrância...
Dos tempos felizes de criança, vividos na casa caiada.

Vejo-me a caçar borboletas...
O riso fácil, os pés descalços pisando a lama macia!
Ouço a voz de mamãe: “Menina sem juízo, vais ficar doente”!
E a voz de papai, que para ouvir novamente tudo daria!...
“Velha, deixe a menina, isto faz bem, ela está contente”!

E nas noites bordadas de chuva,
Papai, velhas histórias de família, a contar...
E eu agachada a seus pés, excitada,
Com os olhos qual um sol a brilhar...
Queria saber de tudo, queria eternizar o momento,
Para sentir da sua voz o calor...
Que no frio da minha terra me aquecia com amor.

E em cada gota de chuva que cai no meu jardim...
Lembranças de momentos vividos...
Brancos, imaculados como o jasmim.
Momentos de ternura que voaram ligeiros...
Como os pássaros que agora da chuva querem se abrigar...
Momentos de aconchego
Que só o calor de uma família feliz pôde dar!

Momentos que no tempo passaram...
Mas em mim eternamente ficaram...
Momentos do passado, mas que em mim estão presentes...
Momentos que me questionam,
Quando num futuro ameaçador penso estar ausente.
Tantos momentos felizes,
Incontáveis como as gotas de chuva
Que agora o céu escoa...
Momentos cristalizados no coração da menina
Que continua correndo atrás da borboleta esperança que voa...
 




Lobos Famintos

O grito da fome

Escapa do estômago da periferia...

E soa por vários palácios

Sem eco...

 Ensimesmado, Maria,

Trêmula... Doente...

Barriga oca... Roncando... Vazia...

Num semáforo qualquer...

Estende a mão fria

E suplica em nome de Deus,

Uma esmola!...

Trocados para enganar

A fome de seus filhos

Cujo teto é o céu...

A escola é a vida...

E a dor é seu sempre...

Vivendo da sorte, sem norte...

Ludibriando a morte!

Sem futuro... Sem esperança...

O palácio onde mora

Aquele que se fez Rei

Pela mão do povo...

Covil de oportunistas... Alpinistas...

Oferece apenas migalhas...

O pão fermentado com os nossos impostos...

Assado no forno da corrupção...

Nunca sai das mesmas mãos...

Elas o detêm engordando suas contas

Em paraísos fiscais... Devolver jamais!

E gulosos que são, tem um refrão:

Quero mais... Quero mais... Quero mais...

Insaciáveis insanos! Vis macrômanos!

Os palácios unem-se em blocos

De opulentas alegorias

E cegam o povo

 Com suas tendenciosas fantasias...

Jogam algumas migalhas

Nas panelas vazias dos pobres

E se fingem nobres!...

Unem-se guardando o mesmo tesouro...

Barras de ouro!...

E se protegem

Na sua desenfreada loucura de poder!...

Não mais vêem a dura realidade

Dos homens da periferia

Dizimados pela ambição,

De quem entregou ao Diabo o coração!...

Mas em algum momento,

No meio de tanta revolta,

Haverá uma reviravolta!

O reverso da medalha!...

A coroa cairá das cabeças dos falsos reis

Que por sua vez, deixarão cair às máscaras...

Mostrando as verdadeiras caras!

E eles se envenenarão com o próprio veneno!

Ou engolirão uns aos outros!

Lobos famintos!...
 



Carmen Vervloet





Em verdade, o dom da poesia não é nada recente para esta poetisa
que já nasceu com os versos entranhados em sua essência,
pertinho do céu, nas montanhas da bucólica Santa Teresa,
no estado que já traz a luz em seu nome – do Espírito Santo.
E, na sua infância, conviveu com a poesia – viva da
natureza, do colorido das flores, do som do
cantar dos pássaros, pincelado com o verde
das montanhas e o cristal das nascentes.

Em sua juventude, publicara seus trabalhos nos principais jornais,
da Capital quais sejam, O Diário, A Gazeta, dentre outros.

Na idade adulta, em Vitória, cidade que adotou, à frente de
sua Empresa, jamais se afastou da poesia e das artes,
promovendo lançamentos de livros, exposições de
obras de arte, tais como de esculturas e pintura sobre telas.

Promoveu cursos e palestras voltados à literatura e às artes,
notadamente nos campos da decoração, desenho artístico
e atualização da mulher capixaba.

Elaborou e executou projetos de decoração, dentre os principais,
o da Mineração Rio do Norte, em Porto Trombetas, Estado
do Pará, abrangendo a Casa de Hóspedes, o Cinema,
a Casa de Cultura e o Aeroporto.

No Estado do Espírito Santo, igualmente, foi responsável por
projetos de decoração de Hotéis, Pousadas, Clínicas e residências,
em Vitória, Guarapari, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina,
dentre outros. No entanto, jamais abandonou a poesia,
que ocupa o maior espaço da sua alma.

Atualmente algumas de suas poesias estão no em seu
blog: www.poesianocanto.blogspot.com

Junto com a cantora Ava Araujo foi a idealizadora e responsável pelo
projeto LITEROMUSICAL, evento que durante o ano de2007
realizou mensalmente em sua residência.

 Jorge Saadi (escritor, jurista e compositor; www.bn.br ,
Fundação Biblioteca Nacional) Vitória – ES.
 


Se você gostou indique o endereço: www.almadepoeta.com/carmenvervloet.htm
Ou envie seu comentário para a autora: carmenvervloet@terra.com.br


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22/06/2008