Poetas 3 x 4

Artur Alonso Novelhe

                                       Galiza



AMNESIA


Nem por ti se deve


como tampouco cruzar

campos de algodão num rio


no ouro dias de sol


ou em aqueles tempos

onde perdeste o areal

ser processo


de mulheres que se negam a esquecer


lugares onde

tu eu nunca estivemos

horas dadas de mão

contra um deus misericordioso


e terá por força de ser

aldeia da sua nascença


nom

nunca se deve


permitir o golpe na forja

desistir em criar impossíveis


mesmo teu cabelo

encrespado pelo amor

deixarmos apodrecer


olhando-te com diferencia


nom se deve

caminhar descalços

imitando sombras


mas sim é possível

fingir ser invisíveis

aos corpos que reclamam o nosso coração
 



ABSURDO


seria muito pedir em ti o último


com tantas pedras a cair

tantos sapatos nos caminhos

que se deitam


e a morte que não recupera razoes

pelos séculos dos séculos


seria muito pedir uma tarde

só para mim

na que estivesses atenta

 
ao boiar do rio no berço

de teu ventre

ao nadar da folha

na lagrima de tua pupila cheia

como esmeraldas frescas


e ser feliz com algo simples

tal a suor na umidade

da sombra dum salgueiro

triste
 

amor

contra caminhos ainda à volta

feitos pela lama o pó o pé que pisa

ruídas cerimônias invisíveis


seria quase impossível

mais dever que risco

sonhar contigo desnudos

num campo de papoulas

pintado pelo absurdo
 



Artur Alonso Novelhe nasceu no México, em 1964.
É poeta, perito mercantil e na actualidade funcionário do SERGAS.
Ganhador do XVIII Premio de Poesia "Feliciano Rolan".
Livros publicados: "Entre os teus olhos" e "Umha Meixela depois a outra".
Tem poemas editados na revista AGALIA.
Tem colaborado com jornais como Outras Vozes e Novas da Galiza.
 


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