Affonso Romano de Sant'anna


Nunca direi a palavra completa      pois entre Alfa e Ômega      sou Beta.       Nunca direi a verdade absoluta      pois o que exponho      não é sequer vitória      mas uma parte da luta.



VIDA ARTÍSTICA


Queriam escalar a montanha

como quem fugisse de um afogamento.

Mas ao invés de oferecerem os ombros

para que os pés dos outros se elevassem

puxavam para baixo tentando impedir

que os demais galgassem.

 

Assim a escalada para cima

era para baixo uma escalada

e os que chegavam ao topo

ao invés de se extasiarem com as alturas

e a beleza dos lugares

rejubilavam-se, por algum tempo

de não terem sido ainda destruídos por seus pares.
 



PASÁRGADA

Foi preciso que um poeta brasileiro

te sonhasse

                        e que outro

                                            aqui viesse

para que em ti -Pasárgada

os extremos se encontrassem.

  

Não careço dizer

o quanto me custou

o transe

 o passe

antes que aqui

o mágico tapete

da poesia 

me aportasse.

 

Pasárgada enfim

entreabriu-se

aos meus passos.

 

Poeta

 aqui estou no Paraíso

que

despudoradamente

cantaste.

  

Mas onde supunha

um jardim de delícias

me esperasse

abriu-se uma lição de ruínas

como se Pasárgada fosse

o paraíso que pelo avesso

se ostentasse.

 

Primeiro visito

a tumba de Ciro

que a criou

para que das pelejas

descansasse.

 

-Aqui jaz “o rei dos reis”

cujo império da Babilônia à Etiópia

do Afeganistão à Capadócia 

ia aonde seus arqueiros e cavalos

chegassem.

“Não lamente oh! mortal

aquele que aqui jaz

pois ele fez tudo o que fez

e reinou na guerra e paz”.

 

 Adiante

 entre ruínas

         está Pasárgada.

 

Onde o ruído dos escudos

o atropelo das patas dos corcéis em guerra

o alarido das lanças

os sons dos instrumentos em festa

ecoando nos canais

jorrando nos jardins?

 

Caminho entre derribadas pedras

me atrevo entrar no Portal da Casa

na Sala de Audiências

no Palácio Residencial

e piso os quatro degraus restantes

do Altar do Fogo

com quatro homens alados em relevo.

 

Foi preciso

que nas mesmas planícies

em que Ciro ergueu o seu império

Alexandre irrompesse

e a tudo devastasse

foi preciso

que o vencedor

se visse diminuto

e ante a tumba do vencido

se persignasse

e pedisse a um sábio

que o que estava ali inscrito

traduzisse

e lhe explicasse

foi preciso

que a ruína e a glória

na mesma pedra aflorassem

e o amor ensinasse à morte

                                                   lições

que só na morte renascem

foi preciso

que um poeta brasileiro

te carecesse

e outro

de sobejo

te buscasse

que ao Oriente pelo Ocidente

a poesia chegasse

        foi preciso

que o menino

no velho despertasse

e que de sucesso

em sucesso

o jovem fracassasse

                                   foi preciso 

provar que em Pasárgada

não se chega como conquistador

mas como quem reinando

    obedecesse

e partindo

 ficasse

e olhando as ruínas

nelas algo edificasse

como se a vitória

pelo avesso celebrasse.

 

Pasárgada

       -o não-lugar

onde a poesia 

(ausência plena)

                             reinasse.
 




O PAI


Procuro em meus papéis,

nos baús familiares,

um perdido testamento.

 

Encontro cartas, provérbios em Esperanto,

Pensamentos de Raumsol e a caligrafia de meu pai.

Homem de fé, rezava nos cemitérios.

expulsou demônios em Uberlândia

e alta madrugada enfrentou o diabo

cara a cara em Carangola.

 

Nenhum dos filhos a tempo o entendeu.

Mas ele, esperantista,

esperava as cartas da Holanda,

e as vacas gordas de José

e o fim da Torre de Babel.

Meu pai, cidadão do mundo,

pobre professor de Esperanto

à beira do Paraibuna.

 

Lia, lia, lia. Havia sempre

um livro em sua mão.

E chegavam missivas

e selos fraternais

-mia caro samideano-

Polônia, China

Bélgica e Japão.

 

Maçon, grau 33,

letra caprichosa,

bordava atas da confraria,

Falava-nos de bodes e caveiras,

liturgias impenetráveis

e um dia trouxe-nos a espada

que entre os maçons usava.

 

Aos domingos, à mesa

refestelava-se de Salmos:

lia os mais compridos

ante a fria macarronada,

Mas sua flauta domingueira

apascentava meu desejo

de pecar lá no quintal

e arrebanhava as dívidas

despertas na segunda-feira.

 

Esteve em três revoluções.

Não sei se dava tiros

e medalhas nunca foi buscar.

Capitão de milícias

aposentado por desacato ao superior

discutia política sem muito empenho.

Votava com os pobres: PTB-PSD.

Tio Ernesto era udenista

e cobrava-lhe rigor.

 

Levou-me a ver Getúlio

num desfile militar.

No bolso, uma carta

expondo ao Presidente

penosa situação:

injustiças militares,

necessidade de abono

e pedia uma pasta de livros

pro meu irmão.

 

Isto posto, era capaz de esperar

semanas e meses

sem desconfiar, que ao chorar

ouvindo novelas

da Rádio Nacional

era ele próprio personagem,

porque se, como diz García Marquez,

ninguém escreve ao coronel,

o ditador jamais escreveria ao capitão.

 

Noivo contrariado,

fugiu com minha mãe

e com ela trocou cartas, que vi,

escritas com o próprio sangue.

Brigou com o carroceiro

que chicoteava uma besta

diante de nossa porta.

E quando a tarde crepusculava,

tomava a bilha paralítica no colo

passeando seu calvário pelas ruas

do interior.

 

Certa vez, como os irmãos

pusessem em mim trinta apelidos

querendo me degradar

chamando-me de “guga”,

“tora”, “manduca” e “júpiter”,

certa noite, notando-me a tristeza

levou-me pro quintal

entre couves e chuchus:

mostrou-me Júpiter, a enorme estrela

e outras constelações; peixes

touros, centauros, ursas maiores e menores

tudo a brilhar em mim

estrelas que com ele eu distinguia

e desde aquela noite

nunca mais pude encontrar.
 



O ERRO CERTO
 

A Tabacaria e vários poemas de Fernando Pessoa

/têm versos demais e muitos precisariam ser reescritos.

Trechos dos Cantares de Ezra Pound são prosaicos

/e a rigor incompreensíveis.

Manuel Bandeira e Neruda tem alguns poemas, que façam-me o favor!

Os Lusíadas, às vezes, cansam,

quase viram prosa rimada,

tal como ocorre com partes da Eneida, da Ilíada e da Odisséia.

Alguns quadros e desenhos de  Picasso

nem parecem feitos por um mestre.

Stravinsky às vezes aglutina sons demais em sua pauta

Mahler, como Brahms, faz música, às vezes inteligente demais

e um dia, pasme! ouvi algo de Mozart que não me comoveu.

Até Bach tem composições de pura habilidade.

 

Não é possível acertar o alvo o tempo todo

como sabe qualquer atirador.

 

Por que não queres aceitar

a imperfeição do meu amor?
 



O ANÃO DE MARRAQUESH


Em Marraquesh

há um anão

que ensandece as mulheres.

 

Elas vão ao banho

(dizem aos maridos)

fazer limpeza de pele

mas algo a mais

ali sucede

basta ver como depois

além do corpo

a alma

lhes vai leve.

 

O segredo deste anão

está guardado

na palma de sua mão

pois com seus dedos

sabe sublimar

as mulheres.

 

Elas vêm e ele

com silencioso gesto

pede que se dispam

-se despem.

se ele dissesse: voem

voariam, se dissesse:

dancem, dançariam

se dissesse: amem-me

-o seu mínimo corpo

 amariam.

 

Mas pede apenas

que larguem suas vestes

e se deitem

à espera

que suas pequenas mãos

se agigantem e abram

portas janelas

desvãos abismos

na vertigem

da viagem

dentro da própria pele.

 

Quando se despem

despedem-se

dos maridos

e já não mais carecem

de amantes

é como se Penélope

convertida em Ulisses

nas mãos do anão

a Odisséia sentisse.

 

Ninguém sabe

exatamente

o que seus dedos operam.

Começa pelos pés

e algo vem subindo

devagar ao leve toque

que não toca

que roça

mas não fere

que solicita

e impera

e vai em círculos

como se o bem e o mal

se transcendessem

numa espiral

de delícias.

  

Os maridos e parceiros

ficam no hall do hotel

bebendo uisque

nas quadras

jogando tênis

e nunca saberão

o que ocorreu

ao leve toque

daquelas pequenas

potentes

 suaves

mãos.

 
Finda a massagem

(nome conveniente

à transfigurante

viagem)

as mulheres reaparecem

translúcidas

caminhando

a um centímetro do chão

irrompem inalcançáveis

como se tivessem

tido uma visão.

 

Aos maridos não adianta

qualquer explicação.

Há na pele da alma delas

algo de que jamais

se esquecem:

o irrepetível toque dos dedos

e das mãos

do anão de Marraquesh.
 




A Implosão da Mentira


Fragmento 1


Mentiram-me. Mentiram-me ontem

e hoje mentem novamente. Mentem

de corpo e alma, completamente.

E mentem de maneira tão pungente

que acho que mentem sinceramente.

 

Mentem, sobretudo, impune/mente.

Não mentem tristes. Alegremente

mentem. Mentem tão nacional/mente

que acham que mentindo história afora

vão enganar a morte eterna/mente.

 

Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases

falam. E desfilam de tal modo nuas

que mesmo um cego pode ver

a verdade em trapos pelas ruas.

 

Sei que a verdade é difícil

e para alguns é cara e escura.

Mas não se chega à verdade

pela mentira, nem à democracia

pela ditadura.

  

Fragmento 2

 
Evidente/mente a crer

nos que me mentem

uma flor nasceu em Hiroshima

e em Auschwitz havia um circo

permanente.

 

Mentem. Mentem caricatural-

mente.

Mentem como a careca

mente ao pente,

mentem como a dentadura

mente ao dente,

mentem como a carroça

à besta em frente,

mentem como a doença

ao doente,

mentem clara/mente

como o espelho transparente.

Mentem deslavadamente,

como nenhuma lavadeira mente

ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem

com a cara limpa e nas mãos

o sangue quente. Mentem

ardente/mente como um doente

em seus instantes de febre. Mentem

fabulosa/mente como o caçador que quer passar

gato por lebre. E nessa trilha de mentiras

a caça é que caça o caçador

com a armadilha.

E assim cada qual

mente industrial? mente,

mente partidária? mente,

mente incivil? mente,

mente tropical? mente,

mente incontinente? mente,

mente hereditária? mente,

mente, mente, mente.

E de tanto mentir tão brava/mente

constróem um país

de mentira

-diária/mente.

  

Fragmento 3

 

Mentem no passado. E no presente

passam a mentira a limpo. E no futuro

mentem novamente.

Mentem fazendo o sol girar

em torno à terra medieval/mente.

Por isto, desta vez, não é Galileu

quem mente.

mas o tribunal que o julga

herege/mente.

Mentem como se Colombo partindo

do Ocidente para o Oriente

pudesse descobrir de mentira

um continente.

 

Mentem desde cabral, em calmaria,

viajando pelo avesso, iludindo a corrente

em curso, transformando a história do país

num acidente de percurso.

 

   Fragmento 4

 

Tanta mentira assim industriada

me faz partir para o deserto

penitente/mente, ou me exilar

com Mozart musical/mente em harpas

e oboés, como um solista vegetal

que absorve a vida indiferente.

 

Penso nos animais que nunca mentem.

mesmo se têm um caçador à sua frente.

Penso nos pássaros

cuja verdade do canto nos toca

matinalmente.

Penso nas flores

 

cuja verdade das cores escorre no mel

silvestremente.

 

Penso no sol que morre diariamente

jorrando luz, embora

tenha a noite pela frente.

 

Fragmento 5

 

Página branca onde escrevo. Único espaço

de verdade que me resta. Onde transcrevo

o arroubo, a esperança, e onde tarde

ou cedo deposito meu espanto e medo.

Para tanta mentira só mesmo um poema

explosivo-conotativo

onde o advérbio e o adjetivo não mentem

ao substantivo

e a rima rebenta a frase

numa explosão da verdade.

 

E a mentira repulsiva

se não explode pra fora

pra dentro explode

                      implosiva.
 




QUE PAIS É ESTE?

 (Fragmento 2)

 

Há 500 anos caçamos índios e operários,

Há 500 anos queimamos árvores e hereges,

Há 500 anos estupramos livros e mulheres,

Há 500 anos sugamos negras e aluguéis.

 

Há 500 anos dizemos:

que o futuro a Deus pertence,

que Deus nasceu na Bahia,

que São Jorge é guerreiro,

que do amanhã ninguém sabe,

que conosco ninguém pode,

que quem não pode sacode.

 

Há 500 anos somos pretos de alma branca,

não somos nada violentos,

quem espera sempre alcança

 e quem não chora não mama

ou quem tem padrinho vivo

não morre nunca pagão.

 

Há 500 anos propalamos:

este é o país do futuro,

antes tarde do que nunca,

mais vale quem Deus ajuda

e a Europa ainda se curva.

 

Há 500 anos

somos raposas verdes

colhendo uvas com os olhos,

emeamos promessa e vento

com tempestades na boca,

sonhamos a paz na Suécia

com suiças militares,

vendemos siris na estrada

e papagaios em Haia

senzalamos casas-grandes

e sobradamos mocambos,

bebemos cachaça e brahma

joaquim silvério e derrama,

a polícia nos dispersa

e o futebol nos conclama,

cantamos salve-rainhas

e salve-se quem puder,

pois Jesus Cristo nos mata

num carnaval de mulatas

 

Este é um país de síndicos em geral,

Este é um país de cínicos em geral,

Este é um país de civis e generais.

 

Este é o país do descontínuo

onde nada congemina,

 

e somos índios perdidos

na eletrônica oficina.

 

Nada nada congemina:

a mão leve do político

com nossa dura rotina,

 

o salário que nos come

e nossa sede canina,

 

a esperança que emparedam

e a nossa fé em ruína,

 

nada nada congemina:

a placidez desses santos

e nossa dor peregrina,

 

e nesse mundo às avessas

- a cor da noite é obsclara

e a claridez vespertina.
 




EPITÁFIO PARA O SÉCULO XX
 

1.Aqui jaz um século

onde houve duas ou três guerras

mundiais e milhares

de outras pequenas

e igualmente bestiais.

 

2.Aqui jaz um século

onde se acreditou

que estar `a esquerda

ou `a direita

eram questões centrais.

 

3. Aqui jaz um século

que quase se esvaiu

na nuvem atômica.

Salvaram-no o acaso

e os pacifistas

com sua homeopática

atitude

         -nux-vômica

 

4. Aqui jaz o século

que um muro dividiu.

Um século de concreto

armado, canceroso,

drogado, empestado,

que enfim sobreviveu

`as bactérias que pariu.

 

5.Aqui jaz um século

que se abismou

com as estrelas

nas telas

e que o suicídio

de supernovas

contemplou.

Um século filmado

que o vento levou.

 

6.Aqui jaz um século

semiótico e despótico,

que se pensou dialético

e foi patético e aidético.

Um século que decretou

a morte de Deus,

a morte da história,

a morte do homem,

em que se pisou na Lua

e se morreu de fome.

 

7. Aqui jaz um século

que opondo classe a classe

quase se desclassificou.

Século cheio de anátemas

e antenas, sibérias e gestapos

e ideológicas safenas;

século tecnicolor

que tudo transplantou

e o branco, do negro

a custo aproximou.

 

8.Aqui jaz um século

que se deitou no divã.

Século narciso & esquizo,

que não pôde computar

seus neologismos.

Século vanguardista,

marxista, guerrilheiro,

terrorista, freudiano,

proustiano, joyciano,

borges-kafkiano.

Século de utopias e hippies

que caberiam num chip.

 

9.Aqui jaz um século

que se chamou moderno

e olhando presunçoso

o passado e o futuro

julgou-se eterno.

Século que de si

fez tanto alarde

e, no entanto,

                   -já vai tarde.

 

10.Foi duro atravessá-lo.

Muitas vezes morri, outras

quis regressar ao 18

ou 16, pular ao 21,

sair daqui

para lugar nenhum.

 

11.Tende piedade de nós, ó vós

que em outros tempos nos julgais

da confortável galáxia

em que irônicos estais.

Tende piedade de nós

-modernos medievais-

tente piedade, como Villon

e Brecht por minha voz

de novo imploram. Piedade

dos que viveram neste século

per seculae seculorum.
 



CONJUGAÇÃO


Eu falo

tu ouves

ele cala.

 

Eu procuro

tu indagas

ele esconde.

 

Eu planto

tu adubas

ele colhe.

 

Eu ajunto

tu conservas

ele rouba.

 

Eu defendo

tu combates

ele entrega.

 

Eu canto

tu calas

ele vaia.

 

Eu escrevo

tu me lês

ele apaga.
 




A PESCA


O anil

o anzol

o azul

 

o silêncio

o tempo

o peixe

 

a agulha

    vertical

    mergulha

 

a água

a linha

a espuma

 

o tempo

o peixe

o silêncio

 

a garganta

a âncora

o peixe

 

a boca

o arranco

o rasgão

 

aberta a água

aberta a chaga

aberto o anzol

 

aquelíneo

agil-claro

esabanado

 

o peixe

a areia

o sol.
 




A BELA DO AVIÃO


Mereço tocar em teus cabelos,

Loira e anelada mulher

Que não me conheces

E estás sentada a dois metros de mim neste avião.

 

Te contemplo com intimidade. Sei

Teus contornos e perfumes.

Reclinas teu assento para dormir

E fechados os olhos viajas

Para alguém que te espera, ou não,

Sem saber que eu merecia tocar em teus cabelos,

Em tua boca perfeita

Teu sublime nariz,

Sem saber que conheço teu corpo

Com uma intimidade absoluta.

Estou te vendo , com extremado pudor,

Em peças íntimas no quarto,

Sei da ponta de teus seios

E do grito que lanças ao gozar.

 

Como deve ser importuno

Carregar continuamente

Essa beleza

Publicamente cobiçada!

 

Poderia te falar

Mas te sentirias imediatamente punida

Por seres linda.

 

Vai, colhe poemas, cobiças e suspiros

À tua passagem ,

Pois carregas o fastio da beleza

Esse ornamento difícil de ostentar.

 

Nunca saberás que um poeta

Assim  te contemplou

Nunca  saberás que estás aqui descrita.

Nunca poderás te valer  destes meus versos,

Quando, sendo bela, chorares como as feias

E aviltada, quiseres morrer

Na hora da traição.
 



Os poemas que não tenho escrito


Os poemas que não tenho escrito

porque

 

trabalhando num banco me interrompiam a toda hora

ou tinha que ir à venda e à horta

- quando o poema batia à porta,

 

os poemas que não tenho escrito

por temer

descer mais fundo no escuro de minhas grotas

e preferir os jogos florais

de uma verdade que brota inócua,

 

os poemas que não tenho escrito

porque

meu dia está repleto de alô como vai volte sempre obrigado

e eu tenho que explicar na escola o verso alheio

quando era a mim próprio

que eu me devia explicado,

os poemas que não tenho escrito

porque gritam

ou cochicham ao meu lado

ligam máquinas tocam disco e ambulâncias

passam carros de bombeiro e aniversários de criança

e até mesmo a natureza solerte

se infiltra entre o papel e o lápis

inutilizando com sua presença viva

minha escrita natimorta,

 

os poemas que não tenho escrito

porque

na hora do sexo jogo tudo para o alto

e quando volto ao papel encontro telefonemas e prantos

a exigência de afetos, planos e reencontros

me deixando lasso o pênis e um remorso brando no lápis

 

esses poemas que não tenho escrito

como um ladrão escapando pelas frestas

ou covarde devorado por seus medos

e persas

esses poemas que não tenho escrito

esses poemas

estão lá dentro

me espreitando

alguns já ressacados

outros ressuscitando

outros me acudindo

muitos me acenando

batendo à porta

- me arrombando

me invadindo a sala

com falas corretoras

enciclopédias e planos

 

esses poemas estão lá dentro

latentes

me apertando

atando

sufocando

e qualquer dia me encontrarão

roxo e acuado

senão boiando afogado

- numa sangria de versos desatada.
 



AUTOBIOGRAFIA - JORNAL DE LETRAS / Portugal - 2005

 
QUE POETA É ESTE?
 

(Affonso Romano de Sant’Anna)


Autobiografia: reinvenção autorizada.

-o que vi?

-o que vivi?

-ou o que escrevivi?

Então lhes digo: outro dia um jornal extraiu de uma conferência minha essas frases:
“Vou botar no meu curriculum: - eu vi os Beatles cantarem em Los Angeles e
Michel Foucault jantou lá em casa”.  Se o jornal, nossa imagem exterior, destacou isto,
é que isto é mais importante que algumas dezenas de livros escritos.
Então, nessa linha, acrescento outras coisas insólitas: eu vi o comunismo acabar:
estava em Moscou em agosto de 1991. Ali ao lado do Kremlin, vi os tanques passando,
e como latino-americano ironizei: “-Será um golpe de estado?”. Era.  Mais do que isto:
era o fim do comunismo, o fim do império soviético.  Com Marina, fui ao hotel,
calçamos tênis, pegamos uma máquina fotográfica, e assim larguei o encontro internacional
de diretores de bibliotecas nacionais, e passamos uma semana nas ruas em meio às barricadas
e dentro do próprio Kremlin. Sim, dentro do próprio Kremlin, pois estava programada
uma recepção com Gorbatchov que, preso na Geórgia, não pôde comparecer.
Assim, entramos no palácio comboiado por tanques e comemos sanduíches, caviar
e refrescos olhando entre as cúpulas e torres mais um dia que se punha sobre a história.

         Uma frase de Randall Jarrel lida na adolescência, até hoje passeia na minha cabeça:
“amanhã de manhã algum poeta pode, como Byron, acordar famoso -por ter escrito
uma novela ou matado sua esposa- não por ter escrito um poema”. Jovem poeta,
coloquei-a naquele ensaio de 1962- “O desemprego do poeta” onde considerava a
figura do poeta ontem-e-hoje procurando saídas para minha/nossa aporia.

Então, vos digo a vós e a mim: minha vida se resume em reachar o emprego da poesia,
o (im)possível ponto de intersecção entre o Eu e o Mundo através da linguagem.
O relato desse  exitoso fracasso está no titulo que reuniu seis livros: “A poesia possível”(1987).

Sujeito das causas impossíveis, o poeta tem algo a ver com o que Robert Desnos dizia:
“são insolúveis, são insolúveis todas as questões que tenho que solucionar”.
Foi isso que, piamente eu fazia desde a adolescência, quando escolhido, entre seis filhos,
para ser  “ministro de Deus” ia pregando o Evangelho nas esquinas de Juiz de Fora e
da Zona da Mata, tentando salvar o mundo.  “Arrependei-vos ó raça de víboras!”. 
Foi isto que estudante, em torno de 1960, nos governos de JK, Jânio e Jango e
nas agitações da União Nacional de Estudantes, utopicamente, fazia com os parceiros
do Centro Popular de Cultura: nossa revolução socialista ia salvar o mundo.
Éramos rebeldes com causa, diferentes de James Dean “Rebeldes sem causa”.
Com causa ou sem causa, com a calça jeans.
Mas foi isto que com os grupos de vanguarda, tolamente repetia:
“sem forma revolucionária não há arte revolucionaria”. Que bobagem, Maiakovsky!
Por essas e por outras é que curei-me   do messianismo seja na religião, seja na política,
seja nas artes; e por isto que recentemente publiquei “Que fazer de Ezra Pound”
e “Desconstruir Duchamp”.
É isso: um dia a gente sai para conhecer o mundo. Em 1965 deixo o barroco de Minas
para viver na pós-moderna Califórnia. “Meninos, eu vi”- como diria Gonçalves Dias.
O Brasil saindo do progresso iluminista dos anos 50 para a Idade Média da ditadura militar,
e aquele inocente mineiro em meio aos hippies de São Francisco, nos “ love in”,
nas marchas contra a guerra do Vietname (“ make love not war”), experimentando
a desrepressão erótica, política e estética.
Vou lhes fazer outra confissão: vou botar também em meu curriculum: salvei a vida
de muitos jovens americanos que estavam condenados a morrer no Vietname. Como?
Assim: o estudante vinha e dizia:- Professor, se eu tirar menos de sete vão me mandar
para a guerra. Claro, eu ajustava a nota.
Não ia fazer o sangue escorrer no quadro negro da história da minha sala.
Desse tempo, poderia botar mais uma coisa no meu curriculum: um dia já bati
papo com Gregory Peck. Mas depois de dois anos de fausto californiano,
disse ao chairman do Department of Spanish and Portuguese: “Estou voltando para o Brasil”.
E ele com pena daquele jovem que jogava fora uma carreira acadêmica nos States:
“Mas você vai chegar lá e vai ter um sargento no lugar do reitor, vão te prender...”
Voltei. Sem nenhum heroísmo. Atavicamente. Fome de raízes.
E achando, renitentemente, que a poesia tinha alguma coisa a ver com a história,
voltei ao Brasil, e fui dirigir o departamento de Letras da PUC-Rio.
Ali, além de trazer Foucault e promover vários encontros nacionais de escritores
durante e contra a ditadura, ocorrreu a  Expoesia- 600 poetas em delírio criativo. 
O SNI-Serviço Nacional de Informações registrou: foi a ação mais subversiva da cultura no ano.
O mérito é do signo áries. Com este signo escreverei. E me derrotarei, daí-
“A grande fala do índio guarani perdido na história e outras derrotas”. Enquanto isto,
via minha geração se dispersando: “um  terço se exilou, um terço se fuzilou,
um terço desesperou/ e nessa missa enganosa/ houve sangue e desamor”., 
Ir e vir. Dar aulas em Koln: o impacto daquela monstruosamente bela catedral
e o longo poema daí surgido. Ir e vir: Aix-en-Provence, Texas, Paris, Madrid, Aahrus,
Frankfurt, Marrocos, Pequin, Quebec, Dublin, Bogotá, Egito, Grécia, Israel, Moçambique,
Nova Delhi, Portugal,Turquia, Índia, Coréia, enfim, o “mundo é grande, tu sabes como
o mundo é grande”- diz Drummond. Mas com Eça e Pedro Nava , devo confessar,
sou apenas um pobre homem dos caminhos das Gerais.
Então, lhe digo, meu caro Manuel Bandeira: eu fui à Pasárgada.
Que em mim também virou poema. “Foi preciso que um poeta brasileiro te sonhasse/
e outro aqui viesse para que em ti-Pasárgada, os extremos se encontrassem”.
Desembarquei no Irã. Mas onde o poeta construíra sua utopia, só vi ruínas.
O encontro com a história tem sido uma sucessão de ruínas.
Fui e vi nas ruínas de Ciro, Xerxes e Atarxexes  assim como vi as ruínas também
do século XX ali no Wold Trade Center.
-Uma definição (im)possível de poesia?
-Há algo sobre isto nos títulos dos meus livros mais recentes: “Textamentos” e “Vestígios”.
Todo escrito é um textamento e, na melhor das hipóteses, só deixamos vestígios.

Mas acho que vou mesmo refazer o meu curriculum. Em vez de dizer dirigi por seis anos
a Biblioteca Nacional(1991-1996) e foi uma experiência preciosa criar o Sistema Nacional de Bibliotecas, o Proler, exportar literatura brasileira, modernizar a instituição,
em vez de dizer escrevi tantos livros de crônicas, de poemas, de ensaios, acho que vou assinalar simplesmente: fui à Toscana em lua de mel para comemorar 25 anos de casamento,
e  no castelo de  Gargonza pernoitei no mesmo quarto em que Dante se
refugiou quando fugia dos gibelinos.
E refazendo minha vida, vou meter no meio das obras imponderáveis: estive ali na
Dinamarca no castelo onde Hamlet perambulava. Olhei-o, examinei-o e o meu pasmo
só aumentava, enquanto com Murilo Mendes corrigia o infausto príncipe.
“A questão não é ‘ser ou não ser’, mas ser e não ser.”

Mas o que eu queria mesmo era ser poeta-menestrel-cantor.
Aí, sim recomporia a unidade órfica perdida, quando poesia era corpo, voz, som e verbo.
Bordejei essa vivência cantando no “Madrigal Renascentista” sob a Regência de Isaac Karabchewsky. Cantei “The truth is march’in on” para Eisenhower no Palácio Alvorada no tempo de Juscelino.
Mas coisa finíssima foi desfilar na Comissão de Frente da Mangueira no carnaval de 1987,
ao lado de velhos sambistas, em homenagem a Drummond. Poesia, povo, música:
essas coisas me perseguem.
Para quem iniciou-se sob o signo do “desemprego do poeta”,
a experiência poética durante a ditadura de 1964-1984 foi pedagógica. De repente,
o “Jornal do Brasil “publica numa página inteira, fora da seção literária, o longo poema
“Que pais é este?”(1980). De repente, nas praias, nos bares, nos clubes, sindicatos,
escolas, igrejas, o poema lido e reproduzido aos milhares. O reemprego do poeta e da poesia.
Fim do exílio. E a experiência se repetindo uma dúzia de vezes e sempre a mesma constatação:
feita com rigor formal, falando de coisas que interessem a todos, superado o narcisismo
e servida no meio de comunicação adequado a poesia tem, como sempre, mais eficácia que a prosa.
Daí a pouco a experiência se ampliaria e faria poemas também para a televisão.
João Cabral disse, em 1945, que o problema dos poetas em nosso tempo
é que ignoram os meios de comunicação ao seu alcance? Pois bem, ele os ignorou.

Pelo menos, tentei: a poesia possível.
 




BIOGRAFIA

Affonso Romano de Sant'Anna nasce em Belo Horizonte, no dia 27 de março de 1937, filho de Jorge Firmino de Sant'Anna, Capitão da Polícia Militar mineira, e de D. Maria Romano de Sant'Anna.

Criado em Juiz de Fora, tem uma infância de menino pobre, trabalhando desde muito cedo para pagar seus estudos. Entre um e outro biscate, aproveita para ler os livros que consegue nas bibliotecas do Serviço Social da Indústria (SESI). 

Filho de pais protestantes, é criado para ser pastor. Aos 17 anos prega  o evangelho em várias cidades de Minas Gerais, visita favelas, prisões e hospitais, convivendo com pessoas pobres e sofridas. Leva a elas sua mensagem. Essa experiência irá influir, futuramente, no estilo de seus textos e poesias, com forte conteúdo social.

Custeia seus estudos na Faculdade de Letras de Belo Horizonte, tornando-se bacharel.

Em 1956, esteve envolvido com movimentos de vanguarda e, no ano seguinte, com sua voz de barítono, passa a fazer parte do "Madrigal Renascentista", à época regido pelo maestro Isaac Karabtchevsky.

Fez parte dos movimentos que transformaram a poesia brasileira, sempre interagindo com grupos inovadores e construindo sua própria linguagem e trajetória. Data desta época a participação nos movimentos políticos e sociais que marcaram o país. Como poeta e cronista, foi considerado pela revista "Imprensa", em 1990, como um dos dez jornalistas formadores de opinião por desempenhar atividades no campo político e social que marcaram o país nos anos 60.

Coloca em seu primeiro livro, lançado em 1962, "O Desemprego da Poesia", seu inconformismo com a atuação do poeta da época que não possuía a força dos poetas do século XIX. Analisa o desencontro do poeta no seu tempo e sua frustração pessoal. O poeta era tido como um ser boêmio, romântico, fora de época.

Em 1965, muda-se para Los Angeles onde, durante dois anos, dá cursos de  Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia. Nasce sua primeira filha, Fabiana. Lança seu primeiro livro de poesias "Canto e Palavra".

Em 1968, retorna aos Estados Unidos para, durante dois anos, participar como bolsista do International Writing Program, na cidade de Iowa, dedicado a jovens escritores de todo o mundo. 

Apresenta, na Universidade Federal de Minas Gerais, em 1969, sua tese de doutoramento "Carlos Drummond de Andrade, o Poeta "Gauche",  no Tempo e Espaço", publicada em 1972 e que lhe garantiu os quatro prêmios mais importantes no universo literário brasileiro.

Casa-se, em 1971, com Marina Colasanti, escritora e jornalista, segundo ele sua melhor crítica e também musa inspiradora.

Nasce, em 1972, sua segunda filha, Alessandra. Leciona na Pontifícia Universidade Católica - PUC e na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.

De 1973 a 1976, dirige o Departamento de Letras e Artes da PUC/RJ.  Para o curso de Pós-Graduação em Letras, realizado em 1976 na PUC/RJ, promove a vinda de conferencistas internacionais, entre os quais Michel Foucault, sociólogo francês. Houve grande repercussão da visita de Foucault ao país, que se encontrava em pleno regime ditatorial. Lança seu segundo livro de poesias "Poesia sobre Poesia".

Em 1976, volta aos Estados Unidos para lecionar Literatura Brasileira na Universidade do Texas.

Em 1978, torna-se professor de Literatura na Universidade de Colônia, na Alemanha. Lança "A grande fala do índio guarani".

Lança, em 1980, o livro de poesias "Que país é este?", cujo poema título é publicado com destaque pelo "Jornal do Brasil". Leciona, durante dois anos, na Universidade Aix-en-Provence, na França, como professor visitante.

Em 1984, assume no "Jornal do Brasil" a coluna anteriormente escrita por Carlos Drummond de Andrade, o que viria confirmar a opinião do conhecido crítico Wilson Martins de que o biografado seria o sucessor de Drummond. O jornal publica seus poemas na página de política, e não no suplemento literário, iniciativa pioneira e insólita, o que faz com que Sant'Anna mude seu conceito sobre o próprio emprego do poeta na sociedade. Percebe mais claramente que a função do poeta está vinculada, primeiramente, ao fato de que ele precisa ter uma linguagem eficiente, ter domínio de todas as técnicas, falar sobre assuntos que interessem às pessoas em geral, sem narcisismo nem subjetivismo, e encontrar um veículo eficiente para projetar o seu trabalho, no caso o jornal. Considera o livro ainda muito elitista, sofisticado, de acesso impossível às camadas mais pobres de nossa sociedade. Saber que seus poemas, como: "A Implosão da Mentira", "Que país é este?" (traduzido para o espanhol, inglês, francês e alemão) e "
Sobre a atual vergonha de ser Brasileiro", estavam sendo lidos nas casas, nas praias, nos clubes, transformados em poster e colocados nas paredes de escritórios e sindicatos, em muito o gratifica e o ensina que os poetas têm que re-achar o seu lugar existencial e estético dentro da sociedade.

Publica pela Editora Rocco seu primeiro livro de crônicas, "A Mulher Madura", em 1986.

Em março do ano seguinte participou do Congresso "Les Belles Etrangères", onde foram reunidos dezenove escritores brasileiros em Paris e no mesmo ano publica com sua esposa a antologia "O Imaginário a Dois".

Em 1989 participou do "IV Encontro de Poetas do Mundo Latino", realizado no México.

Em 1990, nomeado Presidente da Fundação Biblioteca Nacional (a oitava maior biblioteca do mundo, com mais de oito milhões de volumes), cargo que ocupa até 1966, onde defronta-se, na prática, com sua própria frase a respeito do país: "Nós estamos muito à frente, mas estamos ainda muito atrás de nós mesmos". Informatiza a Biblioteca, cria o Sistema Nacional de Bibliotecas, reunindo 3000 instituições e o PROLER (Programa de Promoção da Leitura), que contou com mais de 30000 voluntários em 300 municípios brasileiros. Lança a revista "Poesia Sempre", de circulação internacional, e apresenta edições especiais sobre a América Latina, Itália, Portugal, Alemanha, França e Espanha.

Preside o Conselho do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (CERLALC), no período 1993/1995), sendo também o Secretário Geral da Associação das Bibliotecas Nacionais  Ibero-Americanas (1995/1996), que reúne 22 instituições.

Cronista do jornal "O Globo", tem também participação em programas na TV Globo onde cria um novo gênero, algo entre a literatura e o jornalismo. Durante a Copa do Mundo, a TV Globo encomenda-lhe dez textos sobre os jogos, que deveriam ser escritos num espaço de duas horas, ligados à imagem e inteligíveis pelo país inteiro. O mesmo acontece com relação à Fórmula I. Também, nesse mesmo gênero, escreveria um poema por ocasião da morte do Presidente Tancredo Neves. Na sua opinião, a televisão, ao contrário do que muitos dizem, não veio para acabar com a literatura. É um veículo moderno e eficiente de promoção da literatura.

Proferiu conferências em diversos países, entre outros: México, Dinamarca, Chile, Canadá, Argentina, Portugal, Estados Unidos e Espanha.

Colabora com diversos jornais.



OBRAS DE AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

  

Poesia no Brasil:

 
1-Canto e palavra. Imprensa Oficial. Belo Horizonte, MG, 1965.

2-Poesia sobre poesia. Ed. Imago, Rio, 1975.

3-A grande fala do índio guarani. Summus. São Paulo, 1978 (2 edições),

4-Que país é este? Ed. Rocco, Rio, 1980 (4 edições)

5-A catedral de Colônia. Ed. Rocco. Rio, 1987.

6-A poesia possível (poesia reunida). Ed.Rocco. Rio, 1987.

7-A morte da baleia. Ed.Berlendis & Verdecchia, Ed. Rio, 1990.

8-O lado esquerdo do meu peito. Ed. Rocco, Rio, 1922 (2 edições)

9-Epitáfio para o século XX (antologia). Ediouro, São Paulo, 1997.

10-Melhores poemas de Affonso Romano de Sant’Anna (antologia). Ed.Global, SP, 1993 (4 edições)

11-O intervalo amoroso (antologia). L&PM. Porto Alegre, 1999 (2 edições).

12-A grande fala e Catedral de Colônia (ed. comemorativa), Rocco, Rio, 1998.

13-Textamentos. Ed. Rocco. Rio, 1999.

14- Poesia Reunida. L&PM, P. Alegre, 2004

15-Vestígios. Ed.Rocco, 2005

16. O homem e sua sombra. Ed. Alegoria, Porto Alegre,  2006

 

Poesia no exterior:

 

1-Antologia da poesia brasileira (org.José Valle Figueiredo) Ed. Verbo, Portugal, 1970.

2-Antologia de la poesia latinoamericana (1950-1970) (org. Stefan Baciu) State Univ. New York, 1974.

3-Littérature du Brèsil (Revue Europe) aout0-sept, 1982, Paris-Franca.

4-Beispilsweise Koln-Ein Lesebuch-herausgegeben von H. Grohler, G.E. Hoffaman, H. J.Tummers, Lamuv Verlag, Alemanha, 1984.

5-Translations: The journal of literaty Tranalation.Spring Columbia Univ. Spring 1984.

6-Lianu Liepesna (Brazilynaujosios poezijos antologija) (antologia brasileira em lituano).Org. Povilas Gaucys, Chicago, 1985.

7-South Easter Latin americanist. Univ. Miami, sept/dec. 1985.

8-A posse da terra (escritor brasileiro hoje) Org. Cremilda Medina. Imp. Nacional. Casa da Moeda/Sec. Cultura, SP, 1985.

9-Antologia da poesia brasileira (oprg. Carlos Nejar), Imp. Nacional/ Casa da Moeda, Portugal, 1986.

10- Brazilian Literature. Special Issue.Latin American Literature Review. Jan/jun, 1986. Univ. Pittsburg, 1986.

11-Anthologie de na nouvelle poèsie brèsilienne. Org. Serge Borjea. Harmatan. Paris, l988.

12-Okolice (miessiecznik spoleczno-literaracki), Marzec, Polonia, 1982.

13-Epitafio para el siglo XX. Fundarte. Caracas. Venezuela, 1994.

14-Antologia da poesia brasileira. China. Embaixada do Brasil, Pequim, 1994.

15-Liberté/Brasil littéraire. Montreal. Canadá, 1994.

Das Gediche (Zeitschrife fur lyric,Essay und Kritik) AGHL. Alemanha, 1997, nº 3, oct/1995.

16-Vision de la poesia brasileña. (org.Thiago de Mello). Instituto Libro Santiago, Chile, 1996.

17-Tierra de Nadie (antologia de nueve poetas latinoamericanos). Ed. Una, Costa Rica, 1996.

18-New lateiramerikanishce poesia/ Nueva Poesía America Latina. Rowohlr Literatur Magazin 38, Hambur, 1996.

19-Review: Latin American Literature and Art,.Fall 1996. America Societe, New York, USA.

20-Poeti brasiliani contemporani. Silvio Castro. Centro Internazionake della Grafica di Venezia, Univ. Padovaa, Italia, 1997.

21-Affonso Romano de Sant’Anna & Carlos Nejar: deux poètes brésiliens contemporains”. (org Regina Machado) La Sape, Centre Nationnale de Lettres, Paris, 2000.

22-Poesia brasileira do século XX (dos modernistas à actualidade). Org. José Henrique Bastos, Ed. Antigona, Lisboa, 2002

23-“Poets of Brazil - a blingual selection - Trad.e intr. De Frederick Williams Univerisity Brigham e UFBA

 

Antologias de poesia no Brasil:

 

1-4 poetas. Ed. Universitária, Belo Horizonte, MG, 1960.

2-Violão de rua I. Ed. Civilização Brasileira, Rio, 1962.

3-Violão de rua II. Ed. Civilização Brasileira, Rio, 1963.

4-Violão de rua III. Ed. Civilização Brasileira, Rio, 1963.

5-Poesia da fase moderna (org. Manuel Bandeira e Walmir Ayala) Ediouro, 1966.

6-Poesia Viva (org. Moacyr Felix) Ed. Civilização Brasileira, Rio, 1968.

7-Poesia contemporânea (org. Henrique Alves). Ropsiwitha Kempf, SP, 1985.

8-Carne Viva (org. Olga Savary) Ed. Anima, 1984.

9-O imaginário a dois (com Marina Colasanti). Ed. Artetexto,Rio, 1987.

10-Sincretismo: a poesia da Geração 60 (org. Pedro Lyra), Topbooks, 1995.

11-Poesia contemporânea - cadernos de poesia brasileira, Inst. Culural Itaú, São Paulo, 1997.

12-Baú de Letras (antologia poética de Juiz de Fora) Funalfa, Juiz de Fora, 2000

13.Os cem melhores poetas brasileiros do século (org. José Nêumanne Pinto) Geração Editorial, SP, 2001.

14.100 anos de poesia - um panorama da poesia brasileira no século XX.  Org. Claufe Rodrigues e Alexandra Maia. Ed. O verso edições, Rio, 2001.

 

Ensaios:

  

1-O desemprego do poeta. Imp. universitária, UFMG, 1962.

2-Drummond, o “gauche” no tempo. Ed. Record, Rio, 1990. (4 edições)

3-Política e Paixão. Ed.Rocco, 1984. (2 edições)

4-Análise estrutural de romances brasileiros. Ed. Ática, SP, 1989 (8 edições).

5-Por um novo conceito de literatura brasileira. Ed. Eldorado.Rio, 1977.

6-Música popular e moderna poesia brasileira. Ed. Vozes. Petrópolis, 1997. (4 edições)

7-Emeric Marcier. Ed. Pinakoteke. Rio, 1993.

8-O canibalismo amoroso. Ed. Rocco, Rio, 1990 (3 edições).

9-Paródia, Paráfrase & Cia. Ed. Atica, S.π, 1985, (7 edições)

10-Como se faz literatura. Ed. Vozes. Petrópolis, 1985 (2 edições)

11-Agosto, 1991: estávamos em Moscou (com Marina Colasanti). Ed. Melhoramentos. SP, 1991.

12-O que aprendemos até agora? Ed. Edufitia. São Luis. Maranhão (1984), Ed. Univ. Santa Catarina, 1994.

13-Barroco, alma do Brasil. Ed.Comunicação Maxima/Bradesco, Rio 1997 ( 2 edições). Reeditado em inglês, francês e espanhol, 1998.

14-A sedução da palavra (ensaio e crônicas). Letraviva. Brasili, 2000

15-Barroco, do quadrado à elipse. Ed. Rocco, Rio, 2000.

16-Desconstruir Ducham. Ed. Vieira & Lent. Rio, 2003.

17-Que fazer de Ezra Pound. Ed. Imago. Rio, 2003

18-A cegueira e o saber. Ed. Rocco, 2006

 

Crônicas:

 

1-A mulher madura. Ed. Rocco, Rio, 1986. (3 edições)

2-O homem que conheceu o amor. Ed.Rocco, Rio, 1988 (2 edições)

3-A raiz quadrada do absurdo. Ed. Rocco, 1989.

4-De que ri a Mona Lisa. Ed. Rocco, Rio, 1991.

5-Fizemos bem em resistir (antologia), Rio, 1994.

6-Mistérios gozosos. Ed. Rocco, Rio, 1994.

7-A vida por viver. Ed. Rocco, Rio, 1997.

8-Porta de Colégio (antologia). Ed. Atica, Sπ, 1995 (7 edições)

9-Que presente te dar (antologia). Ed. Expressão e Cultura, Rio, 2001

10-Pequenas seduções (antologia). Ed. Sulina, Porto Alegre, 2002

11-Nós, os que matamos Tim Lopes (antologia). Expressão e cultura, Rio, 2002

12-Melhores crônicas de ARS. Global Ed. SP. 2004

 

Prosa/ensaios: com outros autores:

 

1.O livro do seminário (1a. Bienal Nestlé de Literatura), 1982.

2.Crônicas mineiras. Ed. Atica, 1984

3.A paixão segundo G.H.Clarice Lispector ( textos críticos). Co. Arquivos, Unesco, 1988.

4.Tv ao vivo. Ed. Brasiliense, 1988.

5.Homenagem a Manuel Bandeira, UFF/ Presença, Rio, 1989.

6.Palavra de poeta. Denira do Rosário. Ed. Jose Olympio, Rio, 1989.

7.Auto-retratos. Giovani Ricciardi, Martins Fontes, São Paulo, 1991

8.Drummund (arte em exposição). Salamandra. Rio, 1990.

9.Minas liberdade. Sec. Cult. de Minas Gerais, 1992.

10.O amor natural. Carlos Drummond de Andrade (prefácio), Record. Rio, 1992.

11.Cartas de Mário de Andrade. Ed. Nova. Fronteira, Rio, 1993.

12.Hélio Pelegrino. A-deus. Ed. Vozes, Petrópolis, 1990.

13.131 posições sexuais  o sexo visto pro 131 personalidades) Org./ Lu Lacerda

14. Tiradentes, teu nome é liberdade, Maxima Comunicação, Rio, 1992.

15.O livro ao vivo. Centro cultural Cândido Mendes, Rio, 1995.

16.Crônicas de amor. Ed. Ceres, SP, s/d

17.Brasil e Portugal: 500 anos de enlaces e desenlaces (Org.Gilda Santos).
Real Gabinete de Leitura, Ano 2000, Rio.

18.Para entender o Brasil. (org. Marisa Sobral Luiz Antonio Aguiar), Ed. Alegro, São Paulo, 2000.

19.Suplementos literários: situação ontem e hoje. “Seminário de Comunicação do Banco do Brasil: Espaços na mídia: história, cultura e esporte”, organizado por Alberto Dines e editada sob este título pelo Labjor. Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo - Unicamp, Brasília, 2001.

20.Brasil e Portugal 500 anos de enlaces e desenlaces, v. 2. Real Gabinete de Leitura, 2001, Rio.

21.Pecados (Orgulho) Org. Eliana Yunes - Maria Clara Bingerer. Ed. Loyola. Rio, 2001

22.Ao encontro da palavra cantada. (Canto e palavra). Org. Claudia Neiva de Matos, 7 Letras, Rio, 2001.

23.Dona Flor e o triângulo culinário e amoroso. In “Personae: grandes personagens da literatura brasileira”. Org. Lourenço Dantas Mota - Benjamim Abdala Jr. Ed. Senac, São Paulo, 2001.

24-Crônicas de uma viagem a Portugal. In Pontes Lusófonas III - Arquitecturas Luso-Brasileiras, Instituto Camões, Lisboa, 2001.

25.Wilson Martins. Um crítico na linha de fogo. In Mestre da Critica - Edição comemorativa dos 80 anos do critico literário Wilson Martins. Imp. Oficial Paraná - Topbooks, Rio, 2001.

26.O valeroso lucideno - um caso de arqueologia literária. Idem.

27. Se eu começasse dizendo- prefacio às poesias completas de T. S Eliot, Nova Fronteira, 2005

28.O umbigo, o centramento e descenetramento” em Umbigo é nosso Rei? Arts e Oficios, RS, 2005.

29.O caso Quintana, em  Mario o anjo da escada.  Telos Emprendimentos Culturais, Porto Alegre,  2006

30.Edmundo simplesmente criativo. Para o livro sobre Edmundo Villani-Côrtes, projeto Francisco Coelho, sobre compositores contemporâneos brasileiros, (GILBERTO MENDES ALMEIDA PRADO, EDINO KRIEGER, RODOLFO COELHO DE SOUZA, EDMUNDO VILLANI-CÔRTES).

31.Cannibalisme litttéraire * Ensaio para o numero especial da revista sobre Valery Univ de Montpellier, março de 2006 e adaptado à Revista Escritor da UBE.

32.Ler o mundo: desafios na sociedade tencológica”. Conf. no Simpósio de Estudos Lingüísticos e Literários da Unicentro/ Garapuava – SP, 2005.

  

Poesia/ ensaios no exterior (com outros autores):

 

1.Confluences littéraires (Bresil-Quebec). Les bases d”une compairaison.
Les Editions Balzac, Montreal, 1992.

2.Les riques du métier. L’Exagone. Quebec. Montreal. Canadá, 1990.

3.Cuentos Brasileños. Ed. Andres Bello, Chile, 1994.

4.O Brasil no limitar do sec. XXI. Frankfurt am Main, TFM, Frankfurt, 1996.

5.Libraries, social inequalities and the challenge of the twenty first century.Dedadus (Journal of the American Academy of Arts ans Sciences,Fall 1996).

6.Tropical Paths: essay on modern brazilian literature (Org. Randal Jonhson) Ed.Garland, N. York/London, 1993.

7.Brésil, poèsie du corpos. M. Leroy-Patay - M.E. Malheiros Poulet, La taillanderie, Lyon, 2000.

8.”Lusofonia, mentiras e realidade” in “Veredas (Revista da Associação Internacional de Lusitanistas), Fundação Eng. Antoniol de Almeida, Porto, 2000.

9.”Origens Poéticas” int. e seleção da antologia de Humberto Ak’abal - “Tecedor de palavas”.
Ed. Melhoramentos, 2006

 

Cds de Literatura

  

-Affonso Romano de Sant’Anna por Tônia Carrero. Luzdacidade. Niterói, 1998.

- Crônicas escolhidas (com participação de Paulo Autran). Luzdacidade, Niterói, 1999.

-“O escritor por ele mesmo” Instituto Moreira Salles, 2001

-“Affonso Romano de Sant’Anna por Affonso Romano de Sant’Anna”. CD de poemas com participação de: Tônia Carreiro, Odete Lara, Marina Colasanti, Neide Archanjo, Eliza Lucinda, Edla Van Steen, Alessandra Colasanti. Luzdacidade, 2005. 

 

Prêmios literários:

 

Prêmio Mário de Andrade. Livro Drummond o “gauche” no tempo.

Prêmio Fundação Cultural do Distrito Federal. Livro Drummond o “gauche” no tempo.

Prêmio União Brasileira de Escritores. Livro Drummond, o “gauche”  no tempo.

Prêmio Estado da Guanabara. Livro Drummond, o “gauche” no tempo.

Prêmio Pen-Clube. Livro “O canibalismo amoroso”.

Prêmio União Brasileira de Escritores. Livro “Mistérios gozosos”.

Prêmio APCA-Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo conjunto de obra.

  

Teses sobre o autor:


“Simbólica de alta tensão - uma leitura da poesia de Affonso Romano de Sant’Anna,
de Vera Lucia Roca de Sousa Lima, Mestrado, PUC/RJ, 1986.

“A ars de ARS: edição do desejo na obra crítica e poética de Affonso Romano de Sant’Anna”
de Flávia Sá d’Oliveira, Doutorado, PUC/RJ, 2000

 

Poemas musicados:

 

“Assombros” - musicado por Felipe Radiceti, no CD - “Homens partidos”, 1999, Rio

“Alfa e omega” - musicado por Rildo Hora, no CD “Ano Novo”, com Rildo Hora e
Maria Teresa Madeira, Robdigital, Rio 2003

“A implosão da mentira” - idem

“A implosão da mentira” - Remy Loeffler Ramos Portilho

“Os amantes” - Fagner

“Que país é este?” - Rocinontes- Brasília

“A morte da baleia”
 


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Veja também: www.almadepoeta.com/affonso_romano_santanna.htm


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