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Os Elementos
Às vezes fico
pensando:
Quem sou eu na verdade se:
O ar
É um sopro divino
Que deu vida ao homem,
Que carrega mil sonhos,
Diluídos no vento.
Às vezes fico pensando
E não encontro explicação, se:
A água
É de Deus a doce lágrima,
É do céu a simples chuva,
Que o mundo é o choro.
A água não é mais do que H2O.
Então serei louco?
Então por que será que:
O fogo
É uma chama. Foi do inferno,
Mas clareia o paraíso;
Queima, anima e é mistério.
O fogo domina o mundo.
E a terra é redonda. É uma bola, nela
Nascem as flores e os homens, animais e tudo mais.
A terra da lua é igual à terra da Terra?

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Poema Milagroso Indecifrável
Um riso desenha
languidamente
O segredo que se esconde em seu olhar
Sua voz, às vezes, demonstra a incerteza
Que procura fustigar–lhe o coração.
Seu rosto, quadro perfeito, assinala
Que você é uma pessoa especial.
Um riso – suave melodia que incendeia
Uma voz - alarme perfumoso inebriante
Um rosto - dilema bélico que encanta
Tudo compõe o enigma
Cujo decifrar é uma odisséia.
Por que tudo isso?
O que poderei fazer para mudar
Esta situação?
Sei lá! Meu tormento se transcreve
Nas asas do vento e esborracha
Nos corredores do tempo
Para acabar milagrosamente num poema.

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Dia de Chuva
A música pluvialmente
tamborila
No telhado velho com monotonia
E o sono toma conta assim da gente
Nada a nossos olhos já perfila
Cada pingo soa puro poesia!
O ar ganha perfume e o céu fica escuro
A chuva forte abate e derruba o vaga–lume
Que debate em desespero no barro puro
E o sol se esconde no horizonte de ciúme.

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Sulcos de Esperança
No corpo da palavra
Gravei a minha louca vontade
De beijar os lábios da minha fada
Deusa musa idolatrada!
Forma inusitada de manter o meu segredo
Já que o galo do poema alçou vôo na amplidão
E a víscera palavra se oculta
Nos olhares lavratura amorosa proibida.
Não! Não permita, ser supremo
Que ela possa descobrir os meus anseios.
É tão bom sentir as pétalas do alvorecer
Saindo dos lábios tão lindos... De morrer!
É tão bom imaginar um toque divinal
Em seus cabelos
É um prêmio infinito a sua companhia
- Fruto sazonal da alegria –
Lavrando sulcos de esperança e poesia.

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Poemas para a Musa Secreta
Os ossos do verbo
Fustigam o meu pensamento
Obrigando-me a sair
Do porão da solidão
E a caminhada
- Via crucis dolorosa -
Num descortino visual
Me atirou na realidade.
Acordo-me de súbito
Vendo a sua imagem linda
Enquanto a sua imagem linda
Enquanto as palavras provisórias
Do horizonte
Se agrupam em novas histórias
Me argo-coração então
Lançando âncoras aporta no olhar
Felino e doce.
Pronto! De novo guerreando
Intimamente
Não sei o que fazer
Pra te esquecer.
O jeito é sonhar pelo impossível.

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O que Vale é a Mensagem
Talvez por meu descuido
literário
Não segui o itinerário
E o resultado se estampou
No quadro-negro da saudade
E as cebolas da morte
Se esparramaram na sarjeta.
Também quem mandou rimar
Amor com dor!
E o búfalo da vida vai campeando
Pela várzea da ignorância
E o pobre poeta esboça uma risada apodrecida.
Fora de sua mente o mundo é outro.
Também quem mandou rimar
Doce com foice!
Talvez por meu descuido literário
Até perdi o calendário
Mas isso não importa
O que vale é a mensagem
E não o
meio!

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Fastio
Na
Atômica
Lacuna
Do meu pensamento
Transcrevo
A frase curta
Do meu viver
Enquanto
A orquestra orgástica
Estrebucha
Sons pelo corpo do mundo infame.
No
Abismo
Da lâmina
Do tempo,
Busco,
Rebusco
As águias do beijo
Cálido
Cuja marca ficou gravada
No pulso do destino
A guisa de tatuagem.

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Poeta In (finito)
Não me escondo
Atrás de verso
Vou à frente
Em combate
De
Palavras
Armando luta.
Não me escondo
Atrás de rima
Vou bem rente
Perfilando
Lado a lado
Do seu verbo
Atingindo estilhaços
Na inércia da miséria.
Meu combate
Rifle espouca
O projétil
Prova o fogo
E no raio do disparo traço o rumo da minha vida.
Quero a paz
Branca voando
Tendo ao fundo azul do céu.

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Fruto Cálido da Esperança
A beleza do amor
Está na incerteza;
A dureza desta dor
Está na pureza;
O fruto cálido da esperança
Amadurece no gesto lânguido
De saber que a felicidade
Existe em algum lugar.
Por isso os versos surgem
No compasso de espera
Tamborilando a melancolia.
Por causa disso a melodia
Trescala nos meandros sutis
Daquele sorriso inefável.
Por isso e mais aquilo...
A essência da saudade
Emudece todo estilo.

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Porto-Fólio
O ruflar das asas
Do pássaro involuntário
Insinua-se com sofreguidão
No meio da frase
Abrindo um parênteses
Para que o Poeta descreva
Com enlevo o drama
Que ocupa o andar térreo
Da realidade!
O vôo célebre
Risca o azul da amplidão
Descortinada e o olho estático
Do arranha-céu espia o vácuo.
E das janelas opacas silhuetas
Pintam desenhando sombras
E se esgueiram no luar.
E o Poeta continua solfejando
A melodia do prazer e do Amor!

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Por que te Adoro, Corumbá!
Contemplando entre as
palmeiras da Avenida
Os pássaros de pólvora em volteios
Sinto a magia pantaneira efervescer no caso
Enquanto o caramujo escorrega na folhagem.
Gosto dessa hora porque o povo se movimenta
Na Pracinha
As crianças brincam de cabra-cega
Cola-pau ou pegador
Enquanto os maiores vão de skates
Ou bicicletas
E o pipoqueiro estoura seu milho ouro em branca nuvem.
Gosto de ficar contemplando o Pantanal
As garças alvas alvos flash abracadabra
Jacarés disfarces troncos
Águas-pés vitórias régias,
Lá no fundo o pescador
Pesca a dor sobrevivente numa sub-vida-aquática.
E assim no lusco-fusco no entremeio das palmeiras
Diviso no vapor da fuga a magia corumbaense
Por isso
que eu te adoro, Corumbá!

Benedito de
Lima
Benedito
Carlos Gonçalves de Lima nasceu em São Paulo, aos 11/06/1949,
mas radicou-se em Corumbá, cidade com que se identifica Poeta, Jornalista,
Historiador, Trovador, Ativista cultural, Professor e Contista.
Formado em História e Pedagogia (UFMS – CEUC). Autor já premiado
em festivais de música, concursos literários, feiras de ciências.
Tem trabalho publicado na Revista Escola.
Fundador
de entidades culturais, entre elas: Academia Corumbaense de Letras,
Núcleo Cultural de Ladário e SEAPAN.
Participação em 40 antologias, organizador de “A Nossa Mensagem”, “Impacto
Jovem”,
“Três Vozes a Mais”, “Amantes da Esperança” e “
Ainda Nascem Flores I e II”.
Fundador
do Movimento Negro em Corumbá, escolhido Cônsul dos Poetas Del Mundo
em 2006. Autor de “Pantanal City – Historinhas da Vovó”.
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E envie seu comentário para o e-mail da autora:
beneditocglima@yahoo.com.br
Contato:
Caixa
Postal 112 – Corumbá – MS – 79300-970
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02/05/2009